
O ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento, nesta terça-feira (23), sobre uma arma de fogo dele que foi apreendida com um militar durante uma blitz de trânsito, na semana passada.
A PCDF (Polícia Civil do Distrito Federal) esteve na casa de Bolsonaro por cerca de 40 minutos, mas ele só falou por cinco minutos.
Em texto publicado no X, o advogado Paulo Cunha Bueno, que defende Bolsonaro, confirmou que acompanhou a oitiva e que o ex-presidente reiterou que solicitou o auxílio de um militar da segurança presidencial apenas para consertar a pistola, que apresentava problemas de funcionamento.
Segundo Cunha Bueno, o ex-presidente “esclareceu todas as questões” apresentadas durante a ação. “A arma era de sua propriedade [Bolsonaro], estava devidamente registrada e, tendo em vista que não houve determinação de cancelamento de seu registro e entrega da arma, a mesma deveria, de fato, estar em seu endereço residencial”, explicou o advogado, que finalizou o texto dizendo esperar que o processo seja arquivado em breve.
Em nota à imprensa, a PCDF reiterou que Bolsonaro respondeu a todas as perguntas e afirmou que, “em razão do sigilo legal das investigações, o teor do depoimento não será divulgado”.
Entenda o caso
O caso teve início na segunda-feira da semana passada (15), quando a PMDF (Polícia Militar do Distrito Federal) realizou uma blitz de rotina na região de Taguatinga.
Durante a abordagem a um veículo, os policiais constataram que o condutor, um sargento do Exército que atua na segurança do ex-presidente pelo GSI (Gabinete de Segurança Institucional), portava regularmente sua arma funcional. No entanto, uma segunda pistola foi localizada no interior do automóvel.
Questionado sobre a falta de documentação do segundo armamento, o militar afirmou aos agentes que a pistola pertencia a Bolsonaro. Ele justificou a situação dizendo que o equipamento apresentava uma falha mecânica e havia sido retirado da residência do ex-presidente para ser levado ao conserto.
Diante do flagrante de transporte de arma sem o devido registro em nome do condutor, o sargento foi encaminhado à 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul) para prestar explicações. Após o depoimento, o militar foi liberado, mas a arma permaneceu apreendida. A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar as circunstâncias do caso.
Caso foi parar no STF
Por envolver o ex-presidente, a ocorrência foi anexada aos autos do processo de execução penal de Bolsonaro no STF. O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
O ministro Alexandre de Moraes cobrou explicações de Bolsonaro sobre o episódio. A defesa do ex-presidente confirmou que a arma está regularmente registrada no nome dele.
Segundo os advogados, a arma teve o mecanismo de disparo alterado sem o conhecimento de Bolsonaro. A defesa explicou que a medida foi adotada em razão das medicações psiquiátricas utilizadas por Bolsonaro, que poderiam afetar sua cognição.
Os advogados afirmaram que Bolsonaro percebeu uma falha no funcionamento do equipamento ao manuseá-lo, mas não conseguiu identificar a causa do problema.
Diante da situação, o ex-presidente teria entregue o armamento ao militar do GSI, que possui experiência com armamentos, para verificar o defeito e realizar eventual manutenção.
Moraes também cobrou uma manifestação da Polícia Militar, que é responsável pela segurança dos arredores da casa de Bolsonaro. A corporação respondeu ao ministro que os veículos utilizados por agentes do GSI não passam por vistoria quando estão na residência do ex-presidente porque não adentram o perímetro interno do imóvel.
Fonte: R7


