
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a transferência imediata, no prazo de 24 horas, do banqueiro Daniel Vorcaro para o 19º Batalhão da Polícia Militar no Distrito Federal, conhecido popularmente como “Papudinha”.
O magistrado acolheu as manifestações da PF (Polícia Federal) e da PGR (Procuradoria-Geral da República), após a PF informar que as negociações para o acordo de colaboração premiada foram encerradas em 10 de junho de 2026.
“A custódia deverá ocorrer em cela, ala ou espaço compatível com sua situação de vulnerabilidade específica, resguardados o controle estatal efetivo, o acesso regular à defesa técnica e a observância dos direitos mínimos assegurados às pessoas privadas de liberdade, devendo a ele ser aplicado o regime ordinário do estabelecimento designado”, afirmou o ministro.
No último dia 11 de junho, a PF informou à Corte que havia rejeitado uma nova tentativa de delação do ex-banqueiro. Na avaliação dos investigadores, os elementos apresentados por Vorcaro não trouxeram informações inéditas nem indicaram novos crimes ou possíveis envolvidos ainda desconhecidos.
Quatro dias depois, a PGR também avisou ao Supremo que havia negado a proposta de cooperação, argumentando que a tratativa não apresentava fatos novos relevantes e continha referências baseadas em relatos de terceiros.
Movimentações suspeitas
A decisão de André Mendonça desta quinta-feira destaca que persistem os motivos para manter a prisão, citando que o pai do investigado, Henrique Moura Vorcaro, e outros apoiadores continuam operando na gestão do grupo econômico, além de terem sido detectadas movimentações suspeitas de ocultação e blindagem patrimonial.
“À luz das novas descobertas decorrentes do prosseguimento das investigações, verifica-se que a segregação preventiva do requerente permanece constituindo importante instrumento para mitigação dos riscos de interferência na colheita de provas, de continuidade de práticas voltadas à dissimulação patrimonial e de comprometimento da efetividade da persecução penal”, ressalta o ministro.
Como há outro investigado da mesma operação detido nas dependências da “Papudinha” — o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa —, o ministro determinou que a direção do estabelecimento adote medidas rígidas para garantir a absoluta incomunicabilidade entre eles, visando preservar as investigações.
A direção do batalhão deve relatar imediatamente ao STF qualquer sinal de ameaça, intimidação ou tentativa de interferência entre os presos da operação.
Fonte: R7


