
A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) lançou, durante a realização da BFSHOW, em São Paulo/SP, a 11ª edição do Relatório Indústria de Calçados – Brasil 2026. Com dados detalhados e análises do setor calçadista brasileiro e seu posicionamento internacional, a publicação é bilíngue (português/inglês) e está disponível em versões física e digital – gratuita no link.
O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que o objetivo do material é auxiliar os players do mercado calçadista na tomada de decisões. “Em um cenário de constantes transformações, tanto no ambiente externo quanto doméstico, essa publicação se consolida como uma importante referência para empresas, pesquisadores e para o debate qualificado com o Poder Público”, avalia.
Entre os dados, destaque para a produção de calçados brasileiros, que registrou queda de 1,9% em 2025 (847 milhões de pares). “Entre os principais motivos, estão a desaceleração no mercado doméstico a partir do segundo semestre e a queda nas exportações, puxadas, principalmente, pelos Estados Unidos e Argentina, nossos dois principais destinos fora do País”, comenta. A capacidade instalada da indústria também caiu, de 75,9% para 73%.
Conforme o Relatório, o consumo aparente – que soma a produção e importações menos exportações em pares -, caiu 1,9% em 2025 (786,7 milhões de pares). Outro fator é que boa parte do consumo doméstico foi “abocanhado” pelas importações do período, que aumentaram 20,6% no ano passado. As principais origens dos calçados que entraram no Brasil seguiram sendo os países asiáticos China, Vietnã e Indonésia, que responderam por cerca de 80% do total importado em 2025.
As exportações de calçados, prejudicadas pelo tarifaço dos Estados Unidos, pela desaceleração do mercado argentino e pela intensificação do conflito no Oriente Médio, caíram 1,8% em receita gerada (US$ 958 milhões de pares) e aumentaram 6,7% em volume (103 milhões de pares). “As exportações só não tiveram uma performance pior porque tivemos um incremento importante no primeiro semestre de 2025”, frisa Ferreira.
Projeções para 2026
Para 2026, o Relatório aponta uma projeção de crescimento situada entre a banda pessimista, de queda de 1,2%, e otimista, de crescimento de 1,4%. O cenário apontaria para uma produção física de 837,3 milhões a 859,4 milhões de pares. Os registros devem ser impulsionados pelo mercado doméstico, que prevê crescimento entre 0,5% (banda pessimista) e 3,1% (banda otimista), alcançando um consumo aparente de 790,8 milhões a 811,5 milhões de pares de calçados.
Nas exportações, as projeções para 2026 são de quedas entre 5,9% e 12,7% em receita e entre 4,1% e 8,9% em volume. As incertezas do mercado estadunidense e a desaceleração da economia argentina devem ser determinantes no cenário.
Além dos dados citados, a publicação da Abicalçados traz detalhamentos da produção mundial, dominada pelos países asiáticos; dados de emprego e exportações por Estado; segmentação da produção; importações por origens; análises do mercado e oportunidades para calçadistas brasileiros; projeções; capítulo sobre a evolução de práticas ESG no setor calçadista nacional, entre outras informações relevantes sobre a atividade.