
O apoio e cooperação dos Estados Unidos e da Argentina no plano de saída de Flávio Bolsonaro do Brasil têm gerado críticas pela oposição dos respectivos países. Ao governo de Donald Trump, integrantes do Partido Democrata americano enviaram uma carta cobrando explicações do Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Enquanto isso, deputados argentinos pediram explicações ao atual presidente, Javier Milei, e ao chefe de gabinete Diego Santilli.
Nos EUA, as críticas ganham força em meio ao endurecimento das políticas de imigração e refúgio do governo Trump e aos debates internos sobre os gastos públicos com saúde e segurança.
A carta, direcionada a Rubio, cita a reportagem do jornal norte-americano The New York Times, que aponta uma suposta ajuda de Trump a Flávio. De acordo com o veículo, a viagem foi feita em um jato particular providenciado por um funcionário da Casa Branca.
Os representantes democratas pedem explicações e confirmações sobre a ajuda dada ao brasileiro, incluindo a resposta de pelo menos 10 perguntas sobre o plano, como, por exemplo, se houve ajuda de funcionários da embaixada dos EUA no Brasil e até mesmo sobre a emissão de vistos temporários para a famíla.
A ajuda dos líderes foi confirmada pelo empresário e advogado mexicano Simón Levy, que se apresenta como interlocutor de Donald Trump, e afirmou que a saída do senador brasileiro foi uma operação coordenada por Rubio, com o apoio do presidente da Argentina, Javier Milei.
Nas redes sociais, o aliado de Trump chamou, ainda, a ida ao país americano de “golpe de mestre para o Brasil de Lula e para o mundo”.
Democratas ameaçam deportação
Políticos americanos já expressaram insatisfação com a decisão, sendo a maior parte do Congresso dos EUA. Deputados federais democratas, como Shri Thanedar, Joaquin Castro e Jim McGovern, condenaram o “refúgio” de Flávio e pediram explicações ao governo Trump.
McGovern chegou a relacionar o senador ao fascismo e atribuir a ida dele aos Estados Unidos como uma tentativa de o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, conspirar contra a Justiça brasileira.
Nas redes sociais, o político fez uma série de publicações ameaçando deportar o senador brasileiro e questionando o uso de recursos públicos para custear a ida de Flávio aos EUA.
“Eu vi que Flávio Bolsonaro teve a audácia de agradecer ao povo americano por ‘acolhê-lo’. Não sei por que ele disse isso. O povo americano não fez nada; seu marionetista, TRUMP, fez. Nós não o queremos aqui. Americanos com bom senso querem que nossos dólares de impostos sejam gastos em NOSSO sistema de saúde, NOSSAS estradas, NOSSAS escolas, mas, em vez disso, os republicanos estão usando esse dinheiro para deixar esse cara viver a vida de estrela de cinema com nosso dinheiro. Os republicanos perderam a cabeça. Eu não quero pagar por esse cara”, pontuou.
Apesar das falas sobre deportação, congressistas não têm poder sobre esse tipo de ação, que é exclusivo do Executivo, como explica o professor e diplomata Paulo Roberto de Almeida.
“O Congresso determina políticas gerais dos Estados Unidos até a política externa, pode fazer moções e recomendações, mas ações executivas no plano de asilo, de deportação, expulsão e acolhimento cabe ao Poder Executivo, ao Departamento de Estado e Departamento da Justiça”, diz Almeida.
O jatinho em que Flávio e sua família viajaram da Argentina até os Estados Unidos foi arranjado por Jason Miller, um assessor de comunicação registrado como funcionário especial de Donald Trump e aliado antigo da família Bolsonaro. A informação foi confirmada ao jornal por uma pessoa a par da logística.
Argentinos acionam a Justiça
Deputados argentinos da oposição apresentaram pedidos formais no Congresso e acionaram a Justiça, solicitando informações e pedindo a convocação de autoridades a fim de apurar uma eventual participação do Estado no caso.
Alguns dos parlamentares acusam Milei, o chanceler Pablo Quirno e assessores de possível “cumplicidade” ou encobrimento na passagem de Flávio pelo país.
Em meio ao burburinho do sumiço de Flávio, o governo argentino, por meio do porta-voz Adrian Ravier, disse que o senador não tinha solicitado asilo ao país. “Em relação a Bolsonaro [Flávio], não há nenhum pedido de asilo. Portanto, não há mais nada a acrescentar”, disse.
Fonte: R7

