
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial, entrou nos Estados Unidos com uma autorização temporária concedida por ordem do presidente Donald Trump, segundo reportagem publicada nesta quinta-feira (29) pelo jornal americano The New York Times.
A viagem foi feita em um jato particular providenciado por um funcionário da Casa Branca, de acordo com o jornal.
Flávio, a mulher e as duas filhas desembarcaram em Miami na manhã de quarta-feira (28) e foram liberadas por agentes de fronteira sob o regime de parole.
O mecanismo costuma ser usado em casos de urgência humanitária ou de benefício público significativo e permite que o estrangeiro permaneça no país enquanto o pedido de entrada é analisado.
Autoridades americanas ouvidas pelo NYT sob anonimato disseram que o senador deve pedir o green card, o documento que concede residência permanente, e que o processo seria acelerado.
Foi o que aconteceu, por exemplo, com o irmão dele, Eduardo Bolsonaro. Ele hoje mora no Texas e obteve o documento em julho, menos de um ano, num trâmite que costuma levar anos para a maioria dos imigrantes.
Jason Miller
O jatinho em que Flávio e sua família viajaram da Argentina até os Estados Unidos foi arranjado por Jason Miller, um assessor de comunicação registrado como funcionário especial de Donald Trump e aliado antigo da família Bolsonaro. A informação foi confirmada ao jornal por uma pessoa a par da logística.
Eduardo Bolsonaro, diz o jornal americano, mantinha contato com Miller. E o plano para a viagem começou a ser montado na segunda-feira (26), depois que Flávio recebeu a ordem de entregar os passaportes. Procurado pelo jornal, Miller não quis comentar.
Caminho para a viagem
O caminho até Miami começou por terra. Na noite de terça-feira (27). Flávio Bolsonaro e sua família atravessaram de van a ponte que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú, segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina.
Cerca de 40 minutos depois, embarcou em um avião da Baires Fly, empresa que já transportou o presidente argentino Javier Milei, com escala para reabastecer em Guayaquil, no Equador.
Um registro público do governo americano, analisado pelo New York Times, sugere que Flávio apresentou, na chegada, o passaporte diplomático brasileiro que já havia sido cancelado. A imprensa argentina informou que ele entrou no país vizinho usando passaporte italiano.
Investigações no Brasil
O jornal relembra que a determinação para que o senador entregasse os passaportes em 24 horas está ligada a investigações sobre sua relação com um advogado suspeito de lavar mais de US$ 1 bilhão em um esquema de apostas online.
Como os documentos não foram entregues até a manhã de terça, acabaram cancelados, e um alerta foi emitido às autoridades migratórias para impedir a saída dele do país.
Flávio também é alvo de um inquérito sobre recursos levantados com um banqueiro para financiar uma cinebiografia do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena em prisão domiciliar por tentativa de golpe. O senador não foi denunciado formalmente em nenhum dos casos.
A Polícia Federal disse não ter registro oficial da saída de Flávio do Brasil. Segundo a corporação, as restrições impostas a ele não o tornam necessariamente foragido nem autorizam sua prisão, e as circunstâncias do descumprimento das ordens judiciais estão sendo apuradas.
Silêncio da Casa Branca
Questionados pelo jornal, Casa Branca e Departamento de Estado encaminharam as perguntas ao Departamento de Segurança Interna.
A pasta respondeu apenas que a família passou pela inspeção da agência de fronteira de acordo com as leis de imigração e foi liberada em seguida.
Na terça, o Departamento de Estado já havia anunciado que concederia vistos ao senador e aos familiares.
Trump comentou o caso na própria quarta-feira. “Demos a ele um visto para entrar no país”, afirmou o presidente americano, que disse não pretender se envolver no assunto. Nesta quinta, ele se recusou mais uma vez a dizer quem venceu legitimamente a eleição brasileira.
Versão de Flávio
Em nota publicada nas redes sociais na quarta-feira, Flávio afirmou ter deixado o Brasil por perseguição política e agradeceu a Trump e a Milei.
Ele se apresentou como “líder do Brasil”, depois de apagar uma primeira versão do texto em que se dizia presidente eleito legítimo, e voltou a contestar o resultado das urnas sem apresentar provas.
Fonte: R7

