
O ministro do STF Cristiano Zanin determinou a prorrogação da votação em todo o país até as 19 horas após os pedidos de campanha de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), devido à falta de ônibus em alguns locais do Brasil, sobretudo na Bahia.
Mesmo com prorrogação da votação determinada em todo o país, às 17 horas, apuração das urnas já começou em todo o país. Estados como a Bahia, nos quais eleitores alegaram problemas com o transporte público para chegar aos locais de votação, estão entre os que começaram a contagem de votos.
Entenda
As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) pediram neste domingo (25) ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que a votação do segundo turno seja estendida até as 19h em parte do país. As justificativas são diferentes. A coligação de Lula fala em falta de ônibus e em outros problemas no transporte de eleitores, e a de Flávio cita chuvas intensas, deslizamentos e alagamentos. Os dois pedidos estão com o presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques. A capital paulista e o Paraná aparecem nas duas listas, cada uma com um motivo diferente.
Transporte público
A campanha de Lula fez o primeiro pedido às 13h22, para Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia. Às 15h42, pediu que a medida fosse estendida a Piauí, Paraíba, Paraná, Pará, Rio de Janeiro, São Paulo, Alagoas, Pernambuco e Roraima, além de qualquer outro estado com problemas semelhantes.
A coligação também quer a prisão em flagrante dos responsáveis por dificultar o voto e que o transporte gratuito continue com frota completa por pelo menos duas horas depois do fechamento das urnas. Os relatos citados vão de ônibus retidos em garagens de Salvador a eleitores indígenas sem transporte em Roraima.
Lula falou com a imprensa à tarde, em frente à sua casa, no Alto de Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Segundo ele, quase 40% dos ônibus da capital paulista foram retirados de circulação. O presidente pediu que os eleitores não desistissem. “Ninguém pode desistir de votar, porque algum empresário sacana ou algum prefeito mau-caráter, bandido, tentou evitar o povo votar”, afirmou.
Chuvas e alagamentos
O pedido de Flávio foi protocolado às 15h27 em nome do próprio candidato. A lista inclui 17 cidades. Em São Paulo, a capital, Jundiaí, Itapevi, Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Itapetininga, Botucatu, Apiaí, Ribeira e Iporanga. No Paraná, Curitiba e Guaratuba. Em Santa Catarina, Tijucas, Videira, Trombudo Central, Joaçaba e Águas de Chapecó.
Os advogados atribuem as chuvas a uma frente fria e a um ciclone extratropical. Segundo a petição, o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) tinha 116 alertas abertos neste domingo, três deles de nível alto, dois em Ribeira e Iporanga, no interior paulista. A Defesa Civil de São Paulo mantém alerta laranja em todo o Estado.
O caso mais grave citado é o de Jundiaí, onde choveu 80 mm em 12 horas. A prefeitura confirmou a morte de duas mulheres, arrastadas pela correnteza na madrugada ao tentar atravessar uma rua. Em Itapevi, uma escola alagada obrigou o TRE-SP a transferir 446 eleitores para outro local.
Na capital, a Marginal Tietê teve dois pontos intransitáveis pela manhã, perto das pontes das Bandeiras e Atílio Fontana. A petição também relata córregos transbordando em Americana, Itapetininga e Botucatu, além de casas interditadas por deslizamentos em Apiaí. No araná, chuvas recordes no sábado (24) provocaram deslizamentos e bloqueios de rodovias.
O TRE-PR mudou o local de votação de 3.745 eleitores em Curitiba e Guaratuba. Em Santa Catarina, o documento cita falta de energia em quatro cidades e eleitores ilhados em Águas de Chapecó, que precisaram ser resgatados. A própria petição reconhece que a presidência do TRE-SC avaliou a manhã como normal, mas argumenta que os problemas são localizados.
Segundo os advogados, o pedido “não busca vantagem para qualquer candidatura”. Eles afirmam que, sem a prorrogação, o eleitor diante de uma rua alagada, “teria de escolher entre a própria segurança e o voto”.
Se a ampliação geral não for aceita, Flávio pede que ela valha ao menos para os locais de votação que mudaram por causa da chuva, ou que os juízes eleitorais dos três estados possam prorrogar a votação por até duas horas nas seções afetadas.
O candidato também pede que a divulgação dos resultados da eleição presidencial só comece depois do fechamento das últimas seções abrangidas. Quem não conseguir votar por causa das chuvas, segundo o pedido, deve ter a falta justificada sem multa.
Pelas regras eleitorais citadas nas duas petições, o eleitor que já está na seção às 17h recebe senha e vota mesmo depois do horário de encerramento.
Fonte: R7

