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Governo do Estado reforça mobilização pela vacinação infantil contra a poliomielite

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

A Secretaria Estadual da Saúde (SES) reforça o alerta para a importância da vacinação contra a poliomielite (popularmente conhecida como paralisia infantil). A mobilização destaca os esforços para eliminar definitivamente a infecção causada por um vírus que pode provocar paralisia permanente, sequelas incapacitantes e, nos casos mais graves, levar à morte.

Embora o Brasil esteja livre da circulação do poliovírus selvagem há décadas, o risco de reintrodução da doença ainda existe. Como persiste a transmissão do vírus em algumas partes do mundo, todos os países permanecem vulneráveis ao seu retorno. Por isso, manter elevadas coberturas vacinais continua sendo a principal estratégia para proteger as crianças e garantir que a doença permaneça eliminada.

Diante desse cenário, a SES espera que os pais e responsáveis mantenham a caderneta de vacinação das crianças atualizada. A pólio não tem cura, mas pode ser prevenida de forma segura e eficaz por meio da imunização.

O que é a poliomielite

A poliomielite, também conhecida como pólio ou paralisia infantil, é uma doença infecciosa causada pelo poliovírus. A transmissão ocorre principalmente por meio do consumo de água ou alimentos contaminados pelo vírus e pelo contato com secreções de pessoas infectadas.

Em grande parte dos casos, a infecção não apresenta sinais ou provoca sintomas leves e inespecíficos, o que dificulta a identificação da circulação do vírus. Em uma pequena parcela dos pacientes, porém, o poliovírus atinge o sistema nervoso central e causa a forma paralítica da doença. Nesses casos, podem ocorrer perda de força muscular, paralisias permanentes e comprometimento dos músculos respiratórios.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a poliomielite afeta principalmente crianças menores de cinco anos e pode causar paralisia, com sequelas motoras e respiratórias que podem ser irreversíveis. Apesar dos avanços obtidos nas últimas décadas, a erradicação global da doença ainda não foi alcançada.

Vacinação transformou a história da doença

A história do combate à pólio no Brasil está diretamente ligada às campanhas de vacinação. A imunização em massa foi iniciada em 1961, com a introdução da vacina oral, conhecida como “gotinha”, pelo Ministério da Saúde. A mobilização no país foi ampliada em 1980, com a criação do Dia Nacional de Vacinação contra a Poliomielite.

Em 1986, surgiu o personagem Zé Gotinha, que se tornou símbolo das campanhas de imunização e ajudou a popularizar a vacinação. Antes da aplicação em massa do imunizante, o Rio Grande do Sul enfrentava surtos frequentes da doença, especialmente nas décadas de 1950, 1960 e 1970.

A situação começou a mudar de forma significativa com a intensificação das campanhas nacionais de vacinação, que interromperam a circulação do vírus selvagem. O último caso de poliomielite registrado no Estado ocorreu em 1983, em Santa Maria.

No Brasil, o último caso foi confirmado em 1989, em Sousa, na Paraíba. Já nas Américas, o último registro ocorreu em 1992, no Peru. Em 1994, o Brasil foi considerado livre da circulação do poliovírus selvagem em seu território.

Esquema vacinal atual

A vacinação é a principal medida de prevenção e controle da poliomielite. Ao longo dos anos, o Brasil realizou uma transição gradual da vacina oral poliomielite (VOP), conhecida como “gotinha” e atualmente não utilizada no calendário de rotina, para a vacina inativada poliomielite (VIP), aplicada por injeção.

Atualmente, o esquema vacinal recomendado pelo Programa Nacional de Imunizações é composto por cinco doses, incluindo um segundo reforço aos 4 anos de idade, introduzido em agosto deste ano:

  • 1ª dose: aos dois meses de idade
  • 2ª dose: aos quatro meses de idade
  • 3ª dose: aos seis meses de idade
  • 1º reforço: aos 15 meses de idade
  • 2º reforço: aos quatro anos de idade

As vacinas são disponibilizadas gratuitamente em unidades de saúde por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

Cobertura vacinal segue abaixo da meta há mais de uma década

Manter altas coberturas vacinais é fundamental para impedir a reintrodução do poliovírus. Por isso, o Ministério da Saúde estabelece como meta vacinar pelo menos 95% do público-alvo. O Rio Grande do Sul, no entanto, não alcança esse índice há mais de 10 anos.

Embora os indicadores tenham apresentado recuperação nos últimos anos, especialmente após as quedas registradas durante a pandemia de Covid-19, a cobertura vacinal contra a poliomielite permanece abaixo da meta recomendada, o que contribui para o aumento do risco de reintrodução da doença no Estado.

Cobertura vacinal contra a pólio no RS, por ano:

  • 2026 (dados parciais): 88,47%
  • 2025: 91,51%
  • 2024: 93,49%
  • 2023: 88,68%
  • 2022: 78,80%
  • 2021: 76,35%
  • 2020: 85,14%
  • 2019: 85,09%
  • 2018: 85,70%
  • 2017: 85,73%
  • 2016: 85,46%

Alto risco para reintrodução do vírus

Anualmente, o Ministério da Saúde e os estados realizam uma análise de risco de reintrodução do poliovírus. O método considera diferentes fatores, entre os quais estão os índices de vacinação da população, as ações da vigilância epidemiológica, o acesso aos serviços de saneamento básico e a ocorrência de casos e surtos de doenças imunopreveníveis.

De acordo com a análise referente a 2025, o Brasil encontra-se em situação de alto risco de reintrodução do poliovírus. No Rio Grande do Sul, mais de 70% dos municípios apresentam risco alto ou muito alto. Entre os fatores que mais contribuem para esse cenário está a cobertura vacinal abaixo da meta estabelecida nos últimos anos.

A preocupação se justifica porque a circulação endêmica do poliovírus selvagem ainda persiste em algumas regiões do mundo. Atualmente, os únicos países com transmissão endêmica da doença são Afeganistão e Paquistão.

Vigilância epidemiológica da Paralisia Flácida Aguda (PFA)

Além da vacinação, a vigilância epidemiológica é uma ferramenta usada para detectar precocemente suspeitas de poliomielite. A estratégia utilizada é o monitoramento dos casos de paralisia flácida aguda (PFA), caracterizada pela diminuição ou perda repentina da força muscular, acompanhada de flacidez dos músculos e redução ou ausência dos reflexos.

A pólio é uma das possíveis causas desse quadro, mas outras doenças também podem provocar sintomas semelhantes, como a síndrome de Guillain-Barré, que afeta os nervos e pode causar fraqueza muscular; a mielite transversa, uma inflamação da medula espinhal; meningites virais, que provocam inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula; meningoencefalites, que afetam o cérebro e suas membranas; e outras doenças associadas a enterovírus (vírus que se multiplicam principalmente no intestino).

Por esse motivo, todo caso de PFA em menores de 15 anos deve ser obrigatoriamente investigado, independentemente da causa inicialmente suspeita. O mesmo procedimento é adotado para casos com suspeita de poliomielite em pessoas de qualquer idade.

Após a notificação, os pacientes são acompanhados e passam por uma reavaliação cerca de 60 dias após o início dos sintomas. Esse monitoramento permite verificar a evolução clínica, identificar possíveis sequelas e descartar ou confirmar a relação do caso com o poliovírus. No Rio Grande do Sul, são investigados, em média, 22 casos de PFA por ano.

Fonte: Correio do Povo

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