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Golpes na cabeça, conflito de versões e prisões: o que a Polícia Civil desvendou sobre morte de gari em Porto Alegre

Imagens obtidas pela Polícia Civil reveleram a ação dos suspeitos Foto: Polícia Civil / Reprodução / CP

A Polícia Civil prendeu dois homens suspeitos de participação na morte do gari Gelson da Silva Soares, de 51 anos, durante uma operação realizada no final da noite de sexta-feira, no Campo da Tuca, na zona Leste de Porto Alegre. A ação contou com o apoio do Batalhão de Choque da Brigada Militar.

Conforme o delegado da 2ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Eric Dutra, a investigação identificou três envolvidos no ataque, mas um adolescente de 17 anos, apontado como autor dos golpes de pá na cabeça da vítima, ainda não foi apreendido.

Soares morreu após ser agredido nas proximidades do Viaduto Tiradentes, no bairro Santa Cecília. Segundo a investigação, o adolescente desferiu cinco golpes de pá na cabeça do gari. Um dos adultos presos teria dado um soco e um chute na vítima. O terceiro envolvido, também apontado pela polícia, não teria agredido diretamente o coletor, mas teria impedido que outros trabalhadores que estavam no local prestassem ajuda.

Os dois adultos foram presos e tiveram as prisões convertidas em preventivas. O adolescente se apresentou espontaneamente à delegacia, acompanhado de advogado, foi ouvido e liberado. De acordo com Dutra, a apresentação espontânea impede a prisão em flagrante, e a eventual apreensão do jovem será avaliada pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, por se tratar de menor de idade.

Ao todo, a operação no Campo da Tuca resultou em quatro prisões. Além dos dois homens investigados pela morte de Soares, um homem foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo e outro em cumprimento a um mandado de prisão relacionado a outro caso. Essas duas últimas prisões não têm relação com o homicídio.

A investigação começou logo após o crime, com análise de imagens de câmeras de monitoramento e depoimentos de testemunhas. Segundo o delegado, alguns dos envolvidos também têm oforte ligação com uma facção criminosa, responsável pelo tráfico de drogas na região.

Motivação ainda é investigada

Entre os fatores ainda investigados pela Polícia Civil está a motivação das agressões direcionadas à vítima. Conforme o delegado, há duas versões diferentes sobre o que teria levado o grupo a atacar o gari.

A primeira, relatada por colegas de trabalho e pela esposa da vítima, aponta para um desentendimento ocorrido cerca de um mês antes do homicídio. Na ocasião, um grupo teria ido até a sede da Cootravipa nas proximidades do viaduto, à procura de um celular que estaria indicando a localização do local. Os homens suspeitavam que trabalhadores da empresa tivessem furtado ou encontrado o aparelho e levado para a sede.

Soares, que era chefe do setor, teria interferido na discussão. Segundo essa versão, os homens ameaçaram os trabalhadores e teriam jurado o gari de morte após o confronto.

A segunda versão foi apresentada pelos suspeitos presos e pelo adolescente. Eles alegaram que Soares teria abusado sexualmente da namorada do jovem e que o ataque teria sido uma retaliação. “Eles só falam que ele (Soares) teria abusado dela, mas é uma alegação aberta, sem detalhes”, disse Dutra.

Segundo o delegado, os envolvidos divergem inclusive quanto ao momento em que o suposto abuso teria ocorrido. A mulher deverá ser ouvida pela polícia nesta segunda-feira.

Irmão de Jura está entre os presos

Um dos suspeitos presos pela morte do gari é irmão de Juraci Oliveira da Silva, conhecido como Jura, apontado pela Polícia Civil como liderança da facção Os Abertos no Campo da Tuca, na zona Leste de Porto Alegre. Jura foi preso em fevereiro deste ano durante a Operação La Paraguaya, que investigou um esquema de transporte e distribuição de drogas e resultou na detenção de 17 suspeitos.

Na ocasião da prisão, Jura cumpria pena em regime semiaberto, após deixar a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), onde estava preso desde 2010, quando foi detido no Paraguai. Em 2023, ele foi absolvido da acusação de participação no assassinato de Marco Antônio Becker, então vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers).

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