
As exportações brasileiras de calçados seguiram em queda em setembro, conforme dados elaborados pela Associação Brasileira da Indústria e Comércio de Calçados (Abicalçados), com base nos registros da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Em setembro, foram embarcados 9,15 milhões de pares, que geraram US$ 79,7 milhões, quedas tanto em volume (-0,5%) quanto em valores (-6,6%) em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, as exportações somaram 71,6 milhões de pares e US$ 621,14 milhões, reveses de 6,7% em volume e de 15,6% em receita no comparativo com o intervalo correspondente de 2025.
Se, por um lado, as exportações perderam espaço, o mesmo não acontece com as importações de calçados, que seguem em elevação. Os dados apontam que, em setembro, entraram no Brasil 3,57 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 61,55 milhões, elevações tanto em volume (5,2%) quanto em receita (23,7%) em relação ao mês nove do ano passado. De janeiro a setembro, a importação somou 36,6 milhões de pares e US$ 491,25 milhões, incrementos de 9,1% e 12,5%, respectivamente, ante o mesmo ínterim de 2025. “Além do aumento das importações convencionais, temos o incremento da entrada de calçados via pequenas remessas das plataformas internacionais, que estão isentas de impostos de importação para mercadorias de até US$ 50”, alerta.
Com a queda nas exportações e o aumento das importações, no acumulado de janeiro a setembro, a balança comercial do setor calçadista caiu mais de 56%, em dólares. “Enfrentamos um cenário internacional instável, agravado pelas barreiras comerciais e com consequente retração das exportações para mercados estratégicos, como os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, essas restrições têm provocado uma reorganização dos fluxos comerciais globais, com o redirecionamento de produtos para o Brasil, ampliando a pressão das importações sobre a indústria nacional”, explica o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira.
Diversificação
Ferreira ressalta, ainda, que o eventual aumento dos embarques para outros mercados, em especial da América Latina, não compensam as perdas totais. No acumulado de janeiro a setembro, os embarques aos países da região, com exceção da Argentina, cresceram 11,2% em dólares e 10,4% em pares, comparativamente ao mesmo período do ano anterior. “Existe um esforço para diversificação de mercados. Hoje, o nosso calçado está presente em mais de 160 países, mas não tem sido o suficiente para reverter os números negativos nos embarques”, acrescenta.
Apesar da queda, o principal destino do calçado brasileiro no exterior segue sendo os Estados Unidos. Entre janeiro e setembro, foram embarcados para lá 7,9 milhões de pares por US$ 130,84 milhões, quedas de 4,3% em volume e de 23,8% em receita no comparativo com o mesmo período do ano passado.
O principal exportador de calçados do Brasil segue sendo o Rio Grande do Sul. Entre janeiro e setembro, as fábricas gaúchas embarcaram 25,26 milhões de pares, que geraram US$ 309,2 milhões, incremento de 2,1% em volume e queda de 14% em receita na relação com igual ínterim do ano passado. Na sequência, aparecem o Ceará (19,6 milhões de pares e US$ 108,43 milhões, quedas de 19% e 23,8%, respectivamente, ante o mesmo intervalo de 2025) e São Paulo (4,43 milhões de pares e US$ 62,84 milhões, reveses de 15,5% e 17,7% ante o período correspondente do ano passado).
Importações
As principais origens das importações de calçados seguem sendo três países asiáticos: Vietnã, Indonésia e China. Em setembro, entraram no Brasil 1,6 milhão de pares vietnamitas, pelos quais foram pagos US$ 36,28 milhões, incrementos tanto em volume (19,5%) quanto em receita (39,4%) em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, as importações provenientes do Vietnã somaram 11 milhões de pares e US$ 250,66 milhões, elevações de 17,8% e 31,1%, respectivamente, ante o mesmo intervalo de 2025.
Na sequência entre as principais origens das importações aparece a Indonésia. Em setembro, foram importados de lá 649,5 mil pares por US$ 12,53 milhões, queda de 18% em volume e incremento de 2% em receita na relação com igual período do ano passado. No acumulado do ano, as importações indonésias somaram 6 milhões de pares e US$ 109,65 milhões, queda de 14% em volume e incremento de 1,4% em receita em relação ao intervalo correspondente de 2025.
Em partes de calçados – cabedais, solas, saltos, palmilhas etc -, as importações, de janeiro a setembro, foram equivalentes a US$ 39,6 milhões, 14,4% mais do que no mesmo período do ano passado. As principais origens foram China, Paraguai e Vietnã.

