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Policial penal e outros três são denunciados por furto de R$ 8,8 milhões em ouro e relógios de familiares

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) denunciou um policial penal de 31 anos e outras três pessoas por furto de cerca de R$ 8,87 milhões em ouro, relógios e moedas de uma residência em Porto Alegre. Segundo a acusação, o homem, a esposa, um comerciante e um leiloeiro participaram de um esquema organizado para retirar os bens da casa, substituí-los por falsificações, vender parte do acervo e lavar o dinheiro obtido. O nome dos envolvidos não foi divulgado.

As vítimas são o avô e os tios do policial penal, que teriam sido furtadas no segundo semestre de 2024. Teriam sido levados cerca de 17,5 quilos de ouro, avaliados à época em R$ 7,8 milhões, e seis relógios de luxo, estimados em cerca de R$ 1 milhão, conforme denúncia apresentada na sexta-feira pela Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre.

O policial penal atuava no MPRS em regime de cedência e está preso preventivamente desde 14 de setembro. A prisão foi cumprida durante uma operação da Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

O policial penal foi denunciado por dois crimes de furto qualificado, lavagem de dinheiro e associação criminosa. A companheira responde por lavagem de dinheiro e associação criminosa. O comerciante e o leiloeiro foram denunciados por receptação qualificada, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

O MPRS também pediu a fixação de um valor mínimo para reparação dos danos causados às vítimas.

Como funcionou o esquema
A acusação afirma que os quatro denunciados — o policial penal, a esposa, um comerciante e um leiloeiro — atuaram de forma coordenada por aproximadamente dois anos, com divisão de tarefas entre o furto, a comercialização dos bens e a movimentação dos recursos. Segundo a investigação, parte do ouro era acumulada por uma das vítimas desde a década de 1950.

Em 2023, quando o idoso mudou de residência, o policial teria ajudado a retirar, pesar, transportar e guardar o material. Segundo a investigação, foi nesse momento que ele passou a conhecer a quantidade e o local onde os bens eram mantidos.

Segundo o MPRS, o policial se aproveitou da relação de confiança com os familiares e do acesso privilegiado à residência. Ele conhecia o esconderijo dos bens, tinha as chaves e o controle do portão eletrônico e podia circular pelo imóvel sem levantar suspeitas. Para retardar a descoberta do furto, o policial teria substituído moedas de ouro por peças falsas e quatro relógios originais por réplicas.

O comerciante de 65 anos, especializado no mercado de moedas e metais preciosos, e o leiloeiro de 42 anos teriam recebido, armazenado e comercializado parte dos objetos. Conforme o Ministério Público, os dois obtiveram vantagem econômica com as negociações.

Após a venda dos bens, os valores teriam sido movimentados por contas de terceiros, divididos em pagamentos e usados na compra de bens e no pagamento de despesas pessoais. Entre os gastos citados pelo MPRS estão veículos, uma moto aquática, equipamentos eletrônicos, viagens, aluguel de imóvel e procedimentos estéticos. Pelo menos R$ 1,6 milhão teria sido submetido a operações de lavagem de dinheiro.

A companheira do policial penal, de 37 anos, também foi denunciada. Segundo o MPRS, ela teria participado da lavagem ao receber valores em uma conta bancária e ser beneficiária de despesas pagas com recursos de origem ilícita.

Fonte: Correio do povo

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