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O peso das urnas: as cinco cidades que podem definir a eleição no RS

Bombas foram instaladas pela Corsan/ Aegea para escoar a água para um rio próximo | Foto : Corsan/ Divulgação/ CP

No Rio Grande do Sul, há 8.526.233 eleitores aptos a votar em 2026. De acordo com dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as cinco cidades gaúchas com a maior quantidade de votantes são: Porto Alegre, com 1.061.485; Caxias do Sul, com 342.369; Canoas, com 252.875; Pelotas, com 243.865; e Santa Maria, com 206.350.

De acordo com o cientista político Benedito Tadeu César, nessas cidades concentra-se cerca de um quarto (1/4) do eleitorado do Rio Grande do Sul. Ele destaca que conquistar vitórias ou bons desempenhos nessas localidades pode definir a vitória ou a derrota dos candidatos.

“Porto Alegre, mais progressista, mas também mais diversificada, deu a vitória para Lula e para Edegar Pretto em 2022. As cidades do interior tendem a ter um eleitorado mais conservador e mais homogêneo”, analisou.

Eleitorado e tendências
Benedito afirmou que, somado, o eleitorado de todas as cidades interioranas listadas não atinge o de Porto Alegre. “No entanto, como o voto desse eleitorado é mais conservador e mais homogêneo, a tendência geral no Estado é de dar vitória a candidatos do campo conservador. O grande desafio dos candidatos progressistas — não confundir com os do PP — é conquistar uma vitória expressiva em Porto Alegre a ponto de compensar a desvantagem eleitoral no interior”, apontou.

O doutor em Ciência Política Fábio Hoffmann avaliou as cinco cidades como importantes e estratégicas para as campanhas, uma vez que concentram parcelas expressivas do eleitorado gaúcho. Além disso, segundo ele, elas representam diferentes regiões do Estado e podem servir como barômetros para aferir como as plataformas e os programas de governo são recebidos pela população.

“Não é raro que as campanhas tomem diferentes tonalidades ideológicas e discursivas em cada uma dessas cidades. Para um candidato ao governo do Estado, por exemplo, estar bem posicionado nas pesquisas junto ao eleitorado dessas cidades pode ser um bom termômetro do resultado nas urnas”, explicou Hoffmann.

Conforme o especialista, por essas cidades demandarem eixos estratégicos distintos e por terem um peso eleitoral maior, em conjunto, elas podem ser decisivas na disputa pelas vagas no Palácio Piratini e no Senado Federal.

“Uma candidatura que consiga uma vantagem expressiva na Capital, por exemplo, pode compensar desempenhos menos favoráveis em outras partes. É muito comum, nas eleições para os cargos proporcionais de deputado federal e estadual, haver candidatos que concentram seus votos nessas cidades e conseguem se eleger”, acrescentou Hoffmann.

Estratégias de campanha
Os candidatos ao governo do Estado seguem mobilizando suas campanhas nestes municípios e em outros que também consideram estratégicos.

Gabriel Souza (MDB)
De acordo com o coordenador da campanha, Janir Branco, Gabriel tem visitado diversos bairros de Porto Alegre acompanhado do prefeito Sebastião Melo e de vereadores, evidenciando o foco forte na Capital. “Foram ações no Parque Harmonia e no Mercado Público, e também fazemos algumas caminhadas pelo comércio. O Gabriel tem tratado Porto Alegre como prioridade.”

Segundo Branco, em Caxias do Sul, o candidato fez uma caminhada ao lado do prefeito Adiló, do candidato ao Senado Germano Rigotto (MDB), do ex-governador Ivo Sartori e de outros aliados da coligação. “Em Canoas, foi uma caminhada estratégica no Centro, pois o prefeito é de outro partido, do PL. Da mesma forma, ele fez uma caminhada em Santa Maria, mas lá o prefeito, Rodrigo Décimo, é ligado a nós.”

Além das cinco maiores cidades, Branco afirmou que Gabriel também realizou ações nesta semana em Passo Fundo, Erechim, Alto Uruguai e Marau. “Ainda nesta semana, o Gabriel terá um roteiro que sairá de Porto Alegre para Cruz Alta, Ibirubá, São Luiz Gonzaga, Santo Ângelo, Santa Rosa, Horizontina, Cachoeirinha, Gravataí, Uruguaiana e Alegrete.”

Juliana Brizola (PDT)
O coordenador de campanha de Juliana, Vieira da Cunha, classificou as cinco cidades com o maior número de eleitores como “municípios estratégicos pela importância de cada um. São cidades-polo, e tudo o que acontece nelas irradia para a região”.

Vieira afirmou que o raio de atuação da campanha é amplo e não se restringe a esses cinco municípios, chegando a outras localidades com a mesma capacidade de influência. “Nosso raio de atuação abrange duas dezenas de cidades que possuem essas mesmas características e que recebem nosso foco prioritário.”

Conforme Vieira, o planejamento prevê diversas ações nas seguintes cidades: Gravataí, Passo Fundo, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Rio Grande, Alvorada, Bento Gonçalves, Bagé, Erechim e Santa Cruz do Sul. “Inclusive, na reta final, haverá atividades de panfletagem e presença ostensiva nesses municípios.”

Luciano Zucco (PL)
O coordenador da campanha, Everton Braz, afirmou que Zucco esteve recentemente em Santa Maria e em Pelotas, em um movimento coordenado por haver candidaturas para deputados estaduais e federais nesses locais. “Essas candidaturas nos ajudam na capilaridade. Zucco já esteve nessas cidades outras vezes, assim como em Caxias do Sul.”

Conforme Braz, o foco da campanha está em Porto Alegre e nos municípios da Região Metropolitana. “Nos últimos dias, estamos focando nisso, com algumas incursões no interior, em algumas dessas cidades que são mais relevantes e que têm um grande contingente de eleitores.”

Segundo o coordenador, a campanha de Zucco também considera essenciais as cidades de Gravataí, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Alvorada, Viamão e Guaíba. “Agora, na reta final, teremos um trabalho bem focado nessa região, onde também contamos com o apoio de prefeitos.”

Marcelo Maranata (PSDB)
Para o coordenador da campanha, Kevin Krieger, as cinco cidades são relevantes não apenas pela densidade eleitoral, mas por serem importantes pólos de referência para os municípios do entorno.

“O trabalho que está sendo feito pelos nossos candidatos envolve entrevistas para rádios regionais, participação nos painéis das regiões, caminhadas e abordagens no comércio”, apontou Krieger.

Fonte: Correio do povo

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