Icon search

Compartilhe:

Relevância vai orientar a sobrevivência das marcas, aponta estudo do Gad’

A imagem atual não possui texto alternativo. O nome do arquivo é: Gad.jpeg

Diante de um mundo mais acelerado, artificial e indiferente, o desafio para as marcas é mais profundo: conquistar atenção já não é suficiente para assegurar relevância. Para discutir o futuro do branding e oferecer caminhos às empresas em suas decisões na relação com os consumidores contemporâneos, a consultoria de branding e design Gad’ lança a 7ª edição do Gad Insights 2026. O estudo proprietário, realizado anualmente, analisa o comportamento das marcas ao longo do último ano e sintetiza suas conclusões em dez grandes insights.

Intitulado “O Desafio da Relevância – Como continuar importando em um mundo indiferente?”, o relatório de 2026 parte de um cenário de consumidores mais impacientes e niilistas, de relações cada vez mais provisórias e de tecnologias que padronizam a forma como as pessoas enxergam as marcas. Diante disso, o estudo defende que a diferenciação, por si só, deixou de ser suficiente: as marcas precisam demonstrar, de maneira concreta, porque ainda vale a pena ser escolhidas.

“Em um mundo de alternativas abundantes, ser diferente não garante ser importante. É preciso considerar os consumidores em sua complexidade e construir experiências capazes de devolver sentido em um presente fragmentado. O report de 2026 mostra que ter uma marca forte talvez já não resolva todo o problema”, destaca Luciano Deos, CEO do Gad’.

Desde sua primeira edição, em 2020, o Gad Insights tem apresentado reflexões relevantes e recomendações para o mercado. Ao longo dos últimos sete anos, trouxe orientações e questionamentos para compreender transformações sociais, econômicas, tecnológicas e humanas, bem como rápidas mudanças de rota em diferentes setores da economia. Em cada edição, novos conceitos e cases nacionais e globais exemplificam os insights propostos.

Entre os temas já explorados estão o “novo normal” da pandemia (2020), o Zeitgeist de 2022 marcado pela polarização, pelo storydoing e pela reputação das marcas; e a discussão sobre “marcas inteligentes” diante de um público hipermidiático e permanentemente conectado (2023). O relatório de 2024 aprofundou o fenômeno do Overbranding, caracterizado pelo excesso de exposição das marcas em um mundo hiperconectado. No ano passado, com o tema “O resgate das origens”, o report apontou um cenário de consumidores fatigados pelo excesso de discursos, à espera de vínculos mais profundos e consistentes com as raízes e a história das marcas.

O desafio da relevância

A edição de 2026 mostra que o principal desafio das marcas contemporâneas não é apenas conquistar visibilidade ou diferenciação, mas construir razões concretas para continuar importando. Entre os temas analisados estão o valor da imperfeição como assinatura de autenticidade em um cenário de perfeição técnica banalizada pela inteligência artificial; a busca crescente por sentido e autoconhecimento como resposta a um presente mais instável — o Pew Research Center mostrou que 30% dos adultos norte-americanos consultam astrologia, tarot ou videntes ao menos uma vez por ano —; e o alerta sobre o “FOMO corporativo”, movimento que pode levar marcas a perseguir todas as tendências e, paradoxalmente, deixar de importar em qualquer uma delas.

“Vivemos a passagem de uma economia da atenção para uma economia da impaciência. Isso atravessa o consumo, mas também nossa relação com trabalho, conhecimento, entretenimento e até com outras pessoas. Diante de um mercado com tantas alternativas, ninguém quer mais ficar preso a algo, e a lealdade às marcas precisa ser reconquistada todos os dias”, afirma Luciano Deos.

Outros insights do estudo também trazem dados relevantes para as marcas. O levantamento mostra que 58% dos consumidores globais já substituíram buscadores tradicionais por Inteligências Artificiais generativas, o que exige das marcas atenção a técnicas de otimização para esses ambientes, os chamados GEO (Generative Engine Optimization).

O relatório aponta ainda a necessidade de experiências mais precisas para públicos específicos: pessoas neurodivergentes representam entre 15% e 20% da população, segundo a Gensler, maior escritório de arquitetura e design do mundo. Apesar disso, a maior parte dos espaços comerciais segue projetada a partir de padrões sensoriais considerados “normais”, com luzes cintilantes, ruídos e formas de interação neurotípicas.

O estudo também destaca o crescimento da chamada “silver economy”, mercado que já movimenta US$ 4,2 trilhões por ano no mundo com 1,2 bilhão de pessoas com 60 anos ou mais; e reforça que 77% dos brasileiros exigem provas concretas para acreditar em discursos de sustentabilidade das marcas, segundo a BALT.

“Ser relevante hoje é resolver uma necessidade; continuar sendo relevante amanhã exige reconhecer que aquela mesma pessoa terá outro corpo, outra família, outros projetos e outras prioridades. O desafio é construir uma marca capaz de acompanhar essas mudanças, sem gerar dependência ou presumir que sua presença será imutável”, conclui Deos.

Últimas Notícias