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Indicador destaca desempenho da indústria extrativa no saldo da balança comercial

Crédito: Abicalçados

O saldo da balança comercial de agosto foi de US$ 7,4 bilhões levando a que o superávit acumulado no ano fosse de US$ 55,3 bilhões, US$ 12,2 bilhões superior ao de igual período de 2025. Entre os principais parceiros, registraram melhora no saldo comercial, a China ganho de US$ 5,5 bilhões e a União Europeia de US$ 4,2 bilhões. O déficit nos Estados Unidos não se alterou entre os dois períodos analisados, US$ 3,2 bilhões, e a na Argentina o superávit recuou de US$ 4,1 bilhões para US$ 1,6 bilhões. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 15, pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre).

No mês de agosto, as exportações para a China recuaram em 10,9%, caindo a sua participação de 31,7% para 25,2% nas exportações totais do Brasil na comparação interanual do mês de agosto entre 2025 e 2026. Todos os três principais produtos, que explicaram 79,8% das exportações brasileiras para esse mercado registraram queda em valor: soja 4,7%; petróleo 6,3%; e, minério de ferro 11,0%. Ademais a carne bovina recuou 89,6%, com o esgotamento da cota sujeita a tarifa menor de 12% em comparação com a tarifa extracota de 55%. No mês de agosto, o volume exportado para a China caiu 17,3% em relação a agosto de 2025, mas como mostra o Gráfico 2 na comparação interanual do acumulado do ano até agosto, o volume aumentou em 4,0% e as importações em 8,8%. Nesse período, as exportações para a China aumentaram em valor 15,0%.

Outro ponto a destacar foi o aumento em valor de 12,1% para os Estados Unidos na comparação mensal com variação de 1,6% no volume. Influenciou para esse resultado, o aumento de preço de 10,3% e a comparação com agosto de 2025, quando foi iniciado o tarifaço de 50%, o que reduziu a base exportadora. No acumulado do ano até agosto, a variação em valor foi negativa (9,7%) e o volume caiu 13,8%. 

O mês de agosto favoreceu as exportações da União Europeia que aumentaram em valor 46,4%, sendo a variação do volume de 32,6% e dos preços de 10,4%. Os principais produtos exportados registraram aumentos de dois dígitos: petróleo (participação de 22,8% e aumento de 34,6%); minério de cobre (participação de 11,8% e aumento de 284%) e café não torrado (participação de 9,6% e aumento de 30%). Na comparação do acumulado do ano até agosto, o volume exportado aumentou 5,5% e o da importação caiu 7,4%.

EXPORTAÇÕES

As exportações totais do Brasil aumentaram 12,2% e as importações em 9,2%, em valor, na comparação interanual do mês de agosto entre 2025 e 2026. Entre os acumulados do ano até agosto, em valor, os resultados foram 10,3% para as exportações e 6,1% para as importações. No acumulado do ano, a variação do volume de exportado foi positiva (2,7%) e, em agosto de 2,0%. Os preços de exportação registraram variação de 10,1% e 7,1, na comparação mensal e do acumulado do ano até agosto, respectivamente. No caso das importações, foi registrado aumento no volume na comparação do mensal (2,6%) e aumento de 0,5% na comparação interanual do acumulado do ano até agosto. Os preços de importação aumentaram 6,5% e 5,5% na comparação mensal e do acumulado, respectivamente. 

No mês de agosto, a participação do petróleo bruto nas exportações totais, 14,6%, superou a da soja, que foi de 13,3%. No acumulado do ano até agosto, a soja lidera com 15,7% de participação e o petróleo, com 14,7%. O terceiro principal produto, o minério de ferro registra participação de 7,1% no dado mensal e de 7,3%, no acumulado. Os outros dois principais produtos são os óleos combustíveis e a carne bovina. Destacamos os resultados para o setor de petróleo.

O saldo da balança comercial de petróleo bruto no acumulado do ano até agosto foi de US$ 32,3 bilhões e se incluirmos o déficit dos derivados de petróleo (US$ 4,9 bilhões), o saldo total de US$ 27,3 bilhões explica 49,4% do superávit da balança comercial nesse período. No acumulado até agosto de 2025, o saldo de petróleo foi de US$ 25,2 bilhões e o déficit dos derivados de U$S$ 5 bilhões, somando um total de US$ 20,2 bilhões, 46,7% do superávit do acumulado de 2025. 

A variação no volume importado é negativa para a agropecuária e para a extrativa na comparação mensal e na do acumulado no ano. Chama atenção a queda de 41,6% do volume importado da extrativa em agosto, explicada pelo recuo de 40,7% nas compras de petróleo bruto, analisada no gráfico 6 a. Na transformação o aumento foi de 1,7%, no acumulado do ano, o que sugere um baixo nível de atividade, pois a maior parte da importação do setor é de bens intermediários. Em agosto, porém, o aumento foi de 6,4%. As variações dos preços de importações são positivas, exceto apenas para o resultado do acumulado da agropecuária. As maiores variações de preços estão na indústria extrativa. 

A melhora do superávit da balança comercial de 2026 em relação a 2025 parece estar garantido. Os tarifaços de Trump não levaram a uma queda das exportações brasileiras no total, pois a China e outros parceiros aumentaram suas importações do Brasil. O que será preciso observar é se no encontro previsto entre o presidente dos Estados Unidos e o da China não sejam acordados compromissos de compra dos chineses de produtos agropecuários estadunidenses, como já ocorreu no primeiro governo Trump. 

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