
Depois da queda do sigilo das investigações do Banco Master, documentos da PF (Polícia Federal) detalharam o modus operandi que era utilizado por Daniel Vorcaro para obter informações sigilosas sobre investigações envolvendo o Master. A estrutura reunia contatos dentro e fora das instituições públicas, servidores com acesso a sistemas restritos e um grupo de ex-policiais que fazia levantamentos sobre inquéritos e procedimentos sob sigilo.
O empresário tinha como principal intermediário Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Felipe Mourão, apontado pela PF como responsável por coordenar diferentes grupos que atuavam a mando de Vorcaro. Entre eles estava a chamada “Turma”, formada, segundo a investigação, por seis pessoas, aparentemente policiais, e liderada pelo policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. O grupo recebia cerca de R$ 400 mil por mês e tinha entre suas funções levantar informações sobre inquéritos e processos, inclusive sigilosos, além de consultar sistemas restritos.
Do pedido de Vorcaro ao acesso aos sistemas
As mensagens analisadas pela PF mostram que Vorcaro fazia pedidos específicos a Mourão, que então acionava integrantes da “Turma”.
Em 15 de fevereiro de 2024, por exemplo, Vorcaro encaminhou a Mourão um documento e perguntou se ele sabia algo sobre um inquérito que tramitava na Justiça Federal de São Paulo. Cerca de 40 minutos depois, Mourão enviou um áudio de Marilson, que afirmou já ter acionado a “Tropa” e que daria atenção especial ao pedido.
Segundo a PF, a estrutura também passou a utilizar sistemas internos do Ministério Público Federal, da Secretaria Nacional de Segurança Pública e da própria Polícia Federal, por meio do ePol (sistema digital da PF). Os investigadores identificaram indícios de consultas a procedimentos sigilosos com o uso de credenciais funcionais de terceiros, inclusive logins vinculados a servidores da ativa.
Em determinado momento, o monitoramento teria se tornado mais amplo. Uma consulta no sistema do MPF utilizou os termos “BRB and Master” para localizar procedimentos que envolvessem simultaneamente as duas instituições. Ao receber o resultado, Vorcaro respondeu: “Quero tudo. Atenção total”. Mourão disse que iria “puxar geral”.
Origem à Compliance Zero
A PF identificou ainda que, em 24 de julho de 2024, Mourão encaminhou a Vorcaro uma Notícia de Fato do Ministério Público Federal sobre possíveis crimes contra o sistema financeiro relacionados à aquisição do Banco Master pelo BRB.
O documento tinha caráter reservado e, segundo os investigadores, deu origem à investigação que posteriormente resultaria na Operação Compliance Zero. Para a PF, o acesso antecipado ao documento é um dos indícios de que Vorcaro acompanhava clandestinamente as apurações contra o banco.
Fonte: R7

