
A Polícia Civil prendeu 18 pessoas durante a Operação Los Santos, deflagrada na manhã desta quinta-feira para desarticular uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro em Canoas, na Região Metropolitana. Entre os presos, 17 tiveram prisão preventiva decretada e um foi detido em flagrante. A operação também cumpriu 22 mandados de busca e apreensão em Canoas, Sapucaia do Sul e Florianópolis (SC).
A ação mobilizou cerca de 120 policiais civis do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Também foram determinadas medidas de bloqueio de contas bancárias e sequestro de imóveis e veículos relacionados aos investigados.
A investigação começou após a prisão em flagrante de uma mulher, quando policiais apreenderam drogas, dinheiro em espécie, anotações relacionadas ao tráfico e comprovantes de pagamentos de cartões de crédito que somavam mais de R$ 200 mil. A partir dos documentos, os investigadores passaram a apurar a possibilidade de ocultação de valores obtidos com o tráfico.
Segundo a Polícia Civil, o grupo era formado por familiares e pessoas próximas, e utilizava empresas de fachada, contas próprias e de terceiros e cartões de crédito cujas faturas eram pagas em dinheiro, inclusive em casas lotéricas. A estrutura seria utilizada para dificultar a identificação da origem dos valores.
Os principais investigados teriam movimentado aproximadamente R$ 8,8 milhões entre 2020 e 2025, valor considerado incompatível com os rendimentos e patrimônios declarados. Entre os investigados, segundo a polícia, havia beneficiários de programas assistenciais, como o Bolsa Família.
Um dos elementos identificados durante a investigação foi um alerta bancário relacionado a um provisionamento de saque de R$ 500 mil em uma agência localizada em Santa Catarina. Conforme a Polícia Civil, parte da estrutura financeira do grupo estava concentrada em Florianópolis, onde os investigados teriam adquirido, vendido e construído imóveis para dificultar a atuação das autoridades de Canoas.
Entre os bens atingidos pelas medidas judiciais estão casas na Praia dos Ingleses, em Florianópolis. Uma delas, apontada como pertencente ao principal alvo da investigação, está avaliada em pelo menos R$ 2 milhões. Também foram apreendidos veículos, entre eles uma Land Rover e uma Toyota Hilux SW4 avaliada em cerca de R$ 400 mil, além de uma moto aquática.
Durante a operação, os policiais apreenderam ainda diversas armas e munições. Entre o armamento estão um fuzil Taurus T4 calibre 5.56, pistolas Glock G17, Taurus TS9 e Jericho 9 mm, duas espingardas CBC calibre 12 e um rifle CBC calibre .22. Uma maleta com dólares que, segundo a polícia, seriam provavelmente falsos também foi apreendida.
A operação foi realizada principalmente no bairro Rio Branco, em Canoas, região que recentemente registrou uma série de homicídios. Conforme o delegado regional Cristiano Reschke, a organização investigada estaria ligada a uma facção envolvida nas disputas por pontos de tráfico e na prática de extorsões nos bairros Rio Branco e Niterói.
Segundo Reschke, a investigação também identificou ligações entre integrantes do grupo e pessoas envolvidas nos crimes registrados nas últimas semanas na cidade. “A operação tem por escopo interromper a atuação da organização criminosa estabelecida no bairro Rio Branco há mais de 20 anos, preservar a ordem pública e, principalmente, atingir a estrutura financeira e patrimonial utilizada para a ocultação e dissimulação dos valores obtidos com a prática de crimes”, afirmou o delegado.
O delegado Gustavo Bermudes, responsável pela 4ª Delegacia de Polícia de Canoas, destacou o resultado da operação. Segundo ele, todos os alvos das prisões preventivas foram localizados. “A qualidade da investigação se verifica no sucesso da operação que atingiu 100% de efetividade, prendendo todos os alvos, apreendendo os veículos objeto dos mandados, além de farto armamento, incluindo fuzis, e munição”, declarou.
Os presos foram encaminhados para os procedimentos necessários e, posteriormente, ao sistema prisional. A investigação prossegue para identificar outros possíveis integrantes e esclarecer a estrutura e a movimentação financeira da organização criminosa.
Fonte: Guilherme Sperafico/Correio do Povo

