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Crise no STF: relembre os fatos que desencadearam um conflito interno na principal corte do País

Crise no STF tem Moraes e Mendonça como protagonistas Foto : Luiz Silveira/STF

A escalada de umas das maiores crises institucionais da história do Supremo Tribunal Federal (STF), atingiu seu ápice nesta terça-feira com o pedido de afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Este é o capítulo mais recente do conflito interno iniciado nos bastidores do caso Banco Master.

O furacão jurídico teve origem na Operação Compliance Zero, deflagrada para investigar fraudes financeiras e corrupção de agentes públicos. Relatórios posteriores indicaram que Moraes editou um contrato milionário entre o escritório de advocacia de sua esposa e o Banco Master antes de o acordo ser assinado.

Em janeiro deste ano o nome de outro ministro veio à tona: Dias Toffoli, sai da relatoria do caso após seu nome aparecer como sócio oculto do Tayayá Resort — empreendimento que obteve R$ 35 milhões de fundos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro. Ao assumir o caso, o ministro André Mendonça autorizou novas fases da operação, vindo a derrubar o sigilo de mensagens da PF que expuseram a interferência de Alexandre de Moraes em contratos milionários com o banco.

Em resposta, Moraes usou um relatório de inteligência da PF para acusar Mendonça de abuso de autoridade, gerando uma grave suspeita de monitoramento ilegal e espionagem contra ministros da Corte. Diante do risco de destruição de provas e aparelhamento da corporação, Mendonça determinou na manhã deste 8 de setembro o afastamento de Andrei Rodrigues e do chefe de inteligência Leandro Almada, convocando a Segunda Turma do STF em caráter de urgência para chancelar a decisão.

Acompanhe abaixo a linha do tempo da Crise do STF:

18 de novembro de 2025 – Operação Compliance Zero da PF

Deflagrada a operação da PF que investigava fraudes financeiras e a venda de títulos de crédito falsos no Banco Master. Daniel Vorcaro foi preso preventivamente no Aeroporto de Guarulhos enquanto tentava fugir do país. Também foram presos diretores e o tesoureiro do banco, além do bloqueio inicial de R$ 12,2 bilhões. Posteriormente, relatórios indicaram que Moraes editou um contrato milionário (R$ 131 milhões) entre o escritório de advocacia de sua esposa e o Banco Master antes de o acordo ser assinado.

Em janeiro deste ano, investigações da Polícia Federal e a imprensa revelam que fundos vinculados ao banqueiro Daniel Vorcaro (dono do Banco Master) injetaram ao menos R$ 35 milhões no Tayayá Resort, no Paraná. O local estava registrado em nome de parentes do ministro Dias Toffoli, mas funcionários apontavam o magistrado como o real proprietário. Toffoli, na época, era o relator do caso que investigava o próprio banco de Vorcaro.

12 Fevereiro de 2026 – Toffoli sai do Caso Master e Mendonça assume

Diante do desgaste e de mensagens interceptadas pela PF, o ministro Dias Toffoli sai do caso Master e divulga nota oficial confessando que era sócio oculto de uma empresa familiar com participação no resort. Após uma reunião tensa convocada pelo presidente do STF, Edson Fachin, Toffoli declara-se suspeito e deixa a relatoria do caso Master, que passa para André Mendonça.

1º de setembro de 2026 – Nome de Moraes vem à tona no caso Master

André Mendonça derruba em definitivo o sigilo do relatório da PF e expõe Moraes no caso Master. O documento revela mensagens impactantes: Vorcaro consultando Alexandre de Moraes sobre fugir do país e a descoberta de que Moraes editou pessoalmente minutas de contratos milionários (envolvendo valores de R$ 1,2 milhão a R$ 3 milhões) entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. Mendonça aciona a PGR.

No mesmo dia, de acordo com relatos de interlocutores e servidores, Moraes e Mendonça protagonizaram um confronto verbal direto e exaltado. Moraes teria feito duras críticas à condução do processo e à decisão de dar andamento formal ao pedido enviado à PGR, avaliando a conduta como inadequada entre integrantes do tribunal. Mendonça, em contrapartida, sustentou a transparência e a estrita legalidade do procedimento, alegando cumprir o dever de relator ao dar sequência aos trâmites regulares diante dos indícios apresentados pela Polícia Federal.

3 de setembro de 2026 – Moraes contra-ataca e pede a investigação de Mendonça por abuso de autoridade

Moraes responde de forma agressiva, através do inquérito das fake news, do qual é relator, pedindo a investigação de André Mendonça por abuso de autoridade. Moraes alega que Mendonça agia com fins políticos e com “dois pesos e duas medidas”: tentava destruí-lo com as mensagens, mas vinha “contemporizando” e poupando Dias Toffoli, mesmo com o relatório de 200 páginas da PF sobre o escândalo do resort.

4 de setembro de 2026 – Fachin intervém

O presidente do STF, Edson Fachin, intervém para conter o caos institucional. Ele retira a petição de Moraes do inquérito das fake news, cria um procedimento unificado e dá 5 dias de prazo para que Moraes, Mendonça, a PGR e a PF prestem explicações formais

6 de setembro de 2026 – Mendonça age contra Moraes

Mendonça recusa qualquer acordo de bastidores e libera oficialmente o relatório com as mensagens contra Moraes para julgamento no plenário da Corte.

8 de setembro de 2026 – Mendonça determina afastamento de diretor Geral da PF

André Mendonça determina o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Passos Rodrigues, e do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa. O ministro também ordenou que a Polícia Federal, por meio de sua Corregedoria, abra procedimentos investigatórios de natureza penal e administrativo-disciplinar para apurar os “graves fatos identificados” na produção de relatórios de inteligência.

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