
A votação da PECdo fim da escala 6×1 não deve mais ocorrer nesta semana no Senado e pode ficar para depois do primeiro turno das eleições.
O adiamento ocorreu nesta quarta-feira (2), após o governo concluir que não tinha segurança sobre os 49 votos necessários para aprovar uma proposta de emenda à Constituição.
A decisão expôs uma dificuldade que vai além do quórum registrado no plenário. Apesar de o painel ter chegado a marcar 75 senadores presentes, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que presença não significa necessariamente voto favorável.
Segundo ele, o governo trabalha com uma estimativa de 53 a 54 votos favoráveis, mas considerou arriscado levar a PEC à votação sem a garantia de que esse apoio seria efetivamente convertido em votos.
Em entrevista no fim do dia, Randolfe atribuiu o adiamento a uma articulação da oposição.
Segundo o senador, o grupo liderado por Rogério Marinho (PL-RN) e com participação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria atuado para esvaziar o plenário e impedir que a votação alcançasse os votos necessários. “Hoje houve uma ação coordenada da oposição”, afirmou.
O próprio líder, porém, reconheceu que o governo decidiu não correr o risco de colocar a PEC em votação sem ter um número consolidado. Pela Constituição, uma proposta de emenda precisa de pelo menos 49 votos favoráveis em dois turnos no Senado.
“Não é adequado correr risco sobre esse tema. Nós queremos colocar esse tema para votar com a garantia que ele vai ser aprovado”, disse Randolfe.
Eleições entram no cálculo
A dificuldade de reunir votos ocorre justamente quando o calendário eleitoral começa a se sobrepor à agenda do Congresso. O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro, e um eventual segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Nos bastidores, a avaliação é de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pode usar as próximas semanas para medir o cenário político antes de decidir o momento de colocar a PEC em votação.
A estratégia permite que o Senado observe o resultado do primeiro turno e o desempenho dos principais candidatos antes de definir como conduzir uma pauta de forte apelo entre trabalhadores.
A PEC tem potencial de impacto direto na disputa presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) incorporou o fim da escala 6×1 ao discurso de defesa de uma agenda voltada aos trabalhadores, enquanto Flávio Bolsonaro atuou nesta quarta-feira contra a tentativa de levar a proposta à votação.
Randolfe afirmou que o governo pretende tentar uma convocação extraordinária ainda em setembro para votar a matéria. Caso isso não seja possível, a alternativa será o segundo esforço concentrado do Senado, previsto para ocorrer na segunda semana de outubro.
O senador, no entanto, estabeleceu um limite: disse que a PEC será votada até o fim de outubro. “Eu posso garantir que até o final de outubro, de qualquer forma, essa matéria vai ser votada”, anunciou.
Fonte: R7


