
A manhã nublada e de temperatura amena registrou um movimento ainda discreto no Acampamento Farroupilha, em Porto Alegre. Sem chuva, os integrantes dos piquetes aproveitaram as primeiras horas do dia para seguir com os preparativos finais dos piquetes, para a programação que promete ser intensa ao longo do mês de setembro.
Em boa parte das estruturas, as portas ainda estavam fechadas durante o meio-dia, enquanto outros espaços já eram ocupados discretamente. Nos locais, os participantes se dividiam entre as tarefas de organização e o preparo das comidas típicas.
Nas ruas do parque, o movimento era pequeno. Entre os que circulavam, o chimarrão acompanhava a caminhada, enquanto músicas tradicionalistas tocavam nos rádios dos piquetes. Em alguns locais, o fogo já estava aceso para garantir o almoço ou iniciar o preparo das carnes que seriam servidas à noite.
No Piquete Lenço Colorado, o fogão a lenha permanece aceso durante todo o dia. Sobre ele, o patrão Pedro Rott, 68 anos, finalizava o preparo do feijão e do arroz carreteiro, enquanto a carne cozinhava para uma rabada que seria servida à refeição da noite.
O fogão faz parte da rotina do piquete durante todo o período do acampamento. Segundo Rott, além de manter a água quente para o mate, a estrutura é utilizada diariamente para preparar os pratos servidos aos frequentadores.
O cardápio não segue uma programação rígida, mas o churrasco aparece com frequência, assim como carnes de panela e outras refeições preparadas diretamente no fogão. “Fazemos churrasco quase todos os dias, mas sempre temos uma carne de panela. Sempre tem ‘boia’ pronta no fogão”, ressalta.
A relação de Rott com o Acampamento Farroupilha começou antes mesmo de o evento ter a estrutura atual. Ele conta que, ainda antes da instalação das lonas e dos lotes permanentes, ele e outros participantes chegavam a cavalo para acompanhar os desfiles e permaneciam no local durante os dias de programação.
Com o crescimento do acampamento, os espaços foram ganhando estruturas maiores e a permanência dos participantes durante os dias de programação também aumentou. Hoje, Rott mantém o piquete durante todo o período.
Acampado no local desde o dia 8, diz que deve permanecer até o fim da programação. Cerca de 30 pessoas participam ao longo do ano do Piquete Lenço Colorado, situado em Alvorada.
Para o patrão, a expectativa é de que o crescimento do público ocorra, principalmente, com a aproximação do feriado de 7 de setembro. “O movimento do primeiro final de semana foi bom. Recebemos bastante gente durante as noites. A nossa expectativa é de que, a partir do próximo final de semana, seja mais movimentado. Nessa segunda-feira, o público ainda é mais fraco”, disse.
Expositores também aguardam aumento do movimento
O ritmo mais tranquilo também era percebido no Pavilhão da Agricultura Familiar, onde os expositores aproveitavam a manhã de segunda-feira para organizar os produtos e atender os primeiros visitantes.
Entre eles estava João Carlos Krenz, 63 anos. O expositor, que produz as próprias cuias em Eldorado do Sul, avalia que o movimento ainda é lento, mas espera uma mudança ao longo da semana. “Tem pouca gente visitando ainda, pois estamos concorrendo com a Expointer, mas acredito que aumente no final da semana”, explica.
Mesmo com o fluxo menor de visitantes, as vendas não estão paradas. Segundo Krenz, parte dos produtos já é comercializada por meio de encomendas, enquanto a expectativa é de aumento da procura a partir do fim da semana.
As cuias comercializadas são de fabricação própria e podem ser adquiridas em diferentes modelos, conforme a preferência do cliente. Há opções lisas e trabalhadas, e o tamanho também varia de acordo com a quantidade de erva que será utilizada. Há, também, as tradicionais cuias personalizadas com os escudos de Grêmio e Inter. “Eu tenho várias opções e o cliente é que escolhe, dentro do gosto e da necessidade dele”, completa.
Fonte: Guilherme Sperafico / Correio do Povo


