
A Polícia Civil continua ouvindo testemunhas no caso da menina de 4 anos que morreu com marcas de violência na zona Norte de Porto Alegre. Entre as pessoas ouvidas estão a mãe e a tia materna da criança. O nome da vítima não é divulgado em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A menina, que já havia morado com diversos parentes, era cuidada pela tia e o companheiro desde julho. O casal levou a menina, já sem vida, à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Bom Jesus, na madrugada do dia 17. A mulher foi levada à delegacia no mesmo dia e prestou depoimento, no qual descreveu os últimos momentos da criança.
Segundo o relato, o companheiro da tia, com quem ela se relacionava havia três anos, teria admitido que agrediu a menina no dia da morte. A mulher relatou ter se surpreendido com a agressão, pois o homem nunca teria sido violento com a criança, que o chamava de pai.
Segundo a Brigada Militar, o companheiro da tia fugiu ao perceber a chegada de uma viatura à UPA e, desde então, não foi localizado. Ele é considerado uma testemunha essencial para a investigação e foi chamado a prestar depoimento, mas não é considerado foragido porque não há mandado de prisão expedido contra ele.
A delegada Alice Fernandes, que investiga o caso, afirma que não pediu a prisão do homem porque não há, neste momento, confirmação da causa da morte nem elementos suficientes que indiquem que a violência teria provocado o óbito. A investigação aguarda os laudos periciais para esclarecer a causa da morte, que, segundo a delegada, pode não ter relação com a agressão.
Tia relata últimos momentos da criança
Segundo a delegada Alice Fernandes, a mulher relatou que, na véspera da morte da menina, no domingo, dia 16, estava trabalhando, enquanto o companheiro dela, com quem mantinha um relacionamento havia três anos, cuidava da sobrinha.
Ao chegar em casa à noite, a tia teria encontrado a criança tomando banho sozinha, como era de costume. A mulher relatou ter percebido um hematoma nas nádegas da menina. A criança não teria comentado sobre o ferimento e foi dormir.
A tia teria dito que questionou o companheiro, que teria admitido a mulher ter batido na menina porque ela teria feito cocô nas calças. Após a revelação, os dois teriam começado a discutir.
Segundo o depoimento, a mulher se surpreendeu com a afirmação. Ela afirmou que o homem nunca havia demonstrado comportamento violento e que jamais teria agredido a criança ou ela própria.
A tia relatou que, durante a briga, passou pelo quarto e viu a menina espumando pela boca e convulsionando. O casal, então, pediu ajuda a vizinhos e levou a criança à UPA. A menina já chegou morta à unidade de saúde.
A causa da morte ainda é desconhecida e depende dos resultados da perícia. A investigação busca esclarecer também se as lesões encontradas no corpo têm relação com a morte.
Além do hematoma nas nádegas, a menina apresentava um roxo no rosto, que, segundo a tia, teria surgido dias antes. Conforme o relato, o companheiro teria dito que o ferimento havia sido causado por uma queda enquanto a criança brincava. A tia afirmou não ter suspeitado da situação porque a menina era muito ativa e brincalhona.
Depoimento da mãe
O depoimento da mãe também foi considerado importante para esclarecer como a menina passou a morar com a tia, segundo a delegada. A criança já havia morado com os avós, com uma amiga da mãe e com o pai. Posteriormente, passou a viver, assim como a mãe, na casa de um novo companheiro dela.
O relacionamento teria terminado no começo de julho, e a mãe passou a morar com uma amiga, que não poderia receber as duas filhas. A mais velha passou a morar com o pai, enquanto a menina de 4 anos ficou inicialmente com outra amiga da mãe e, depois, foi para a casa da tia materna.
A Defensoria Pública confirmou que foi procurada pela tia para regularizar a situação da guarda, mas o procedimento não chegou a ser concluído.
Fonte: Camila Mendes / Correio do Povo


