
A CBF realizou nesta segunda-feira, no Rio de Janeiro, a terceira reunião com clubes das Séries A e B do Brasileirão para a criação da Liga do Futebol Brasileiro. O encontro definiu a adoção imediata de novas regras de arbitragem, muitas delas vigentes na Copa do Mundo, para todas as divisões do Brasileirão, Copa do Brasil e Feminino A1.
A reunião marcou o início de um ciclo de discussões para elaboração de um novo regulamento para a temporada de 2027, abordando propostas para arbitragem, área que receberá R$ 200 milhões em investimentos entre 2026 e 2027.
“Hoje daremos o pontapé inicial nesta série de cinco reuniões para falar de um novo regulamento, discutindo a implementação das regras que já foram utilizadas na Copa do Mundo. Faz parte da reestruturação do futebol brasileiro. Esta é uma missão de todos: da CBF, dos clubes, das federações, cada um fazendo seu papel”, explicou o presidente da CBF, Samir Xaud.
Um dos pontos que a CBF busca corrigir é o aumento do tempo de bola rolando nas partidas, que deu resultou no relatório “Tempo de Bola Rolando no Futebol Brasileiro”. Em 2026, até a parada para a Copa do Mundo, o tempo médio de bola rolando na Série A do Brasileirão era de 52 minutos e 54 segundos, distante da meta da FIFA de 60 minutos de bola rolando. Vale destacar que nenhuma das grandes ligas mundiais consegue chegar a esta minutagem: a Premier League registra 55:23, a Ligue 1 56:17 (mesmo tempo da Bundesliga), La Liga 55:09 e Serie A, 54:28 (dados considerando a temporada 2026).
Comparando outros dados do futebol brasileiro com os das principais ligas globais, o estudo identifica formas de recuperar aproximadamente 6 minutos e 22 segundos de bola rolando por jogo, ajustando itens como a marcação de faltas, o tempo levado para reposição da bola em jogo, a duração dos atendimentos médicos e as checagens de VAR e impedimento semiautomático.
“Isso passa pela aplicação das novas regras, pela padronização dos critérios e pela capacitação dos árbitros, mas também depende da participação dos clubes e dos jogadores. O objetivo é ter um jogo mais fluido, com menos interrupções e mais futebol”, afirmou Netto Góes, diretor de Arbitragem da CBF.
Nesta reunião, a CBF propôs aos clubes a adoção das novas regras da IFAB, aplicadas na Copa do Mundo de 2026, ao futebol brasileiro já na temporada atual. A próxima reunião do conselho técnico está prevista para 14 de setembro e tratará da organização de competições.
Conheça as novas regras:
- Oito segundos com a bola nas mãos
Goleiro que exceder o limite entrega escanteio ao adversário.
- Cinco segundos para arremesso lateral
Contagem começa assim que o jogador tiver a bola em mãos.
- Cinco segundos para cobrar tiro de meta
Árbitro apita e conta cinco segundos. Caso goleiro exceda tempo, concede escanteio ao adversário.
- Dez segundos para deixar o campo em substituições
Jogador substituído deve sair pelo ponto mais próximo de forma célere, sem caminhada.
- Um minuto fora após atendimento
Atleta que for atendido no gramado precisará sair e deve permanecer fora por um minuto.
- Após atendimento ao goleiro um jogador de linha fica fora por 1 minuto
Treinador ou capitão indica quem cumpre o minuto fora.
- Somente o capitão fala com o árbitro
Um único interlocutor por equipe durante toda a partida.
- Cobrir a boca em discussão: vermelho (Protocolo Vini Jr)
Tapar intencionalmente a boca ao discutir com adversário será conduta passível de expulsão.
- Checagem de VAR para aplicação de segundo cartão amarelo
Passa a ser revisável pelo VAR o cartão que resulta em expulsão.
- Checagem de VAR para escanteio concedido por engano
A medida aprovada para 2027 é revisável quando levar diretamente a gol ou pênalti.
Fonte: Correio do Povo


