
Apesar do corte de 0,25 pontos percentuais que todo mundo esperava, em decisão unânime, o comunicado fala sobre a inflação, mostrando que continua tendo ali a preocupação com as expectativas. A avaliação é do economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, para quem não é possível prever que haverá um ciclo de flexibilização.. “A grande interrogação é se a gente vai ter espaço para mais um corte de 0,25 ou não”, diz.
Para Perri, o Copom reconhece que houve a moderação da atividade, o que poderia ser entendido como um sinal dovish. “Mas aí, quando a gente vai olhar para o que ele traz sobre o mercado de trabalho, ele deixa de falar de resiliência e passa a falar do mercado de trabalho aquecido, ou seja, ele endurece aqui um pouquinho a interpretação dele do mercado de trabalho”, diz.
“No comunicado anterior, o BC falava em diferentes trajetórias de juros e retirou isso. Então ele fala apenas em manter a restrição adequada da política monetária. Isso é um sinal mais forte de que ele vai pausar aqui o ciclo de cortes da taxa de juros em 14%. Temos que ter surpresas positivas daqui pra frente para isso mudar”, comenta o economista.
Na opinião de Augusto Parente, especialista em investimentos e sócio da AW Capital, a cautela deverá se manter até o final de 2026, em função do cenário externo e a possibilidade de juros mais altos no mercado americano. “Sem dúvidas, o comunicado já vinha sendo bem precificado no mercado e acredito que a amanhã há pouco espaço na bolsa para grandes oscilações que venham apenas do tema COPOM, já que não veio nenhuma surpresa. As tendências de curto prazo devem se manter em dólar, juros e bolsa”, diz.


