
A indústria elétrica e eletrônica do Rio Grande do Sul apresentou melhora nas vendas e encomendas em junho de 2026. Segundo a Sondagem Conjuntural do Setor Eletroeletrônico, realizada pela Abinee, 50% das empresas consultadas registraram crescimento em comparação com o mesmo mês de 2025 – sete pontos percentuais acima do índice de maio (43%). Na comparação mensal, o percentual de empresas que apontaram aumento nas vendas e encomendas passou de 35% em maio para 42% em junho. Ao mesmo tempo, as indicações de negócios abaixo das expectativas recuaram de 74% para 50%, sinalizando melhora na percepção em relação ao mercado interno.
Apesar do desempenho mais favorável das vendas, o setor segue enfrentando pressões sobre os custos de produção. Em junho, 63% das empresas relataram aumento nos preços de componentes e matérias-primas, ante 61% em maio. Entre os itens mais citados estão chips, memórias, latão, zinco, alumínio e plásticos. As tensões geopolíticas e a escalada dos preços do petróleo em meio aos conflitos no Oriente Médio vêm influenciando os valores dos insumos. No caso das memórias, o aumento da demanda mundial – especialmente impulsionado pela expansão das aplicações de Inteligência Artificial – tem pressionado os preços no mercado internacional e gerado impactos também no Brasil.
A sondagem apontou estabilidade no mercado de trabalho: 90% das empresas informaram manutenção do número de empregados em junho, índice praticamente igual ao do levantamento anterior. A utilização da capacidade instalada, porém, apresentou a segunda queda consecutiva, passando de 77% em maio para 74% em junho.
No comércio exterior, 25% das empresas informaram crescimento das exportações em comparação com junho de 2025, ante 27% em maio. Por outro lado, aumentaram as dificuldades logísticas: os relatos de atrasos no recebimento de cargas passaram de 23% para 28%, enquanto 25% das participantes mencionaram dificuldades no envio de cargas marítimas.
Para 2026, o setor mantém expectativa de crescimento, porém em ritmo mais moderado do que o observado em 2025. Entre as empresas consultadas, 53% projetam aumento das vendas e encomendas no ano, 37% esperam queda e 10% preveem estabilidade. Em dezembro, 76% estimavam crescimento, evidenciando uma redução importante no otimismo.


