
Nesta quinta-feira, às 3h, o Guaíba atingiu os 2,15 metros, a mesma medição máxima da cheia da última semana e, às 11h, ele media 2,27 m, na régua do Cais do Porto, mantida pela Secretaria de Meio Ambiente do RS, dentro da cota de atenção. Segundo a MetSul Meteorologia, com a vazão dos rios que desembocam no corpo de água, a tendência é de chegar a 2,50 m, cota de atenção.
O Guaíba tem cinco rios contribuintes: Jacuí, Taquari, Caí, Sinos e Gravataí. A condição de cada um deles, em conjunto, conta a história de uma cheia do Guaíba. Os dois maiores contribuintes são o Taquari, que media 9,58, às 10h30min, em Taquari, mais de um metro acima da cota de inundação, que é de 8,52 m, e o Jacuí, que estava em cota de atenção medindo 8,90 metros, às 11h, no Passo São Lourenço, em Cachoeira do Sul.
Já em Dona Francisca, que fica mais perto da nascente do Jacuí, a situação é de inundação com 8,86 m, o que significa que a água do rio segue descendo em direção ao Guaíba. O rio Caí, em Montenegro, media 7,69 m, também gerando inundação na cidade, que tem cota de 6 m.
Já no Sinos, às 11h30min, em São Leopoldo, media 4,79 m, ultrapassando a cota de cheia, que é de 4,50 m. No rio Gravataí, a situação também é de inundação, já que mede 4,97 m no Passo das Canoas, cuja cota é de 4,75 m.
A primeira onda de vazão a alcançar o Guaíba será a do Taquari nas próximas 48 horas. Na sequência, haverá gradualmente a do Rio Jacuí e do Caí. Ao mesmo tempo, aumentará nos próximos dias a chegada de água dos rios Gravataí e Sinos.
De acordo com a MetSul, diante do cenário dos rios contribuintes, a tendência é de que o Guaíba atinja a cota de alerta de 2,5m e baixa probabilidade, pelos dados de agora, de alcançar a cota de inundação de 3 metros. Com isso, a região das Ilhas já começou a sofrer com alagamentos, mas a situação pode piorar até o final da sexta-feira.
Complexidade hidrológica do Guaíba
De acordo com a MetSul, prever o nível do Guaíba é complexo e difícil, com variáveis diferentes de prognosticar o nível de um rio apenas, já que não é apenas a vazão dos rios (hidrologia) que deságuam que determina o seu nível. Aliás, o fato de ser a vazão de muitos rios com os picos de cheia de cada um chegando em momentos diferentes pelo percurso de cada bacia, aumenta a complexidade e a dificuldade de se prever o nível do Guaíba.
No caso atual, alguns rios contribuintes já atingiram os seus picos de cheia e outros ainda não antes que deságuem no Guaíba, assim o cenário exige atenção não apenas nos próximos dois a três dias, mas ainda no começo da próxima semana. Há também a variável do vento (meteorológica).
O Guaíba está na ponta Norte da Lagoa dos Patos. Se venta forte do quadrante Sul na Lagoa, há represamento do escoamento e o Guaíba sobe ainda mais. No passado, durante enchentes, houve picos de elevação de até 50 cm a 70 cm com vento Sul intenso em ciclones e/ou massas de ar frio intensas.
Nos próximos dias, quando chegar a onda principal de vazão dos rios, a previsão é de o vento soprar de direções que favorecem o escoamento das águas para a Lagoa dos Patos. Na segunda metade da próxima semana, com o Guaíba ainda alto, há risco de vento Sul.
A MetSul enfatiza que a cheia dos próximos dias não repetirá as grandes de novembro de 2023 e maio de 2024. O cenário é de alerta, mas não se deve esperar uma inundação de grandes proporções ou extrema como nos dois episódios.
Fonte: Correio do Povo


