
As vendas no setor de bares e restaurantes cresceram 4,2% no segundo trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Em junho, o setor registrou alta de 2,6%, chegando ao nono mês consecutivo de desempenho acima do observado no ano anterior. Já em relação a maio, houve recuo de 2,1%. Os dados são do Índice Abrasel-Stone, relatório mensal divulgado pela Stone, o banco pra quem empreende, em parceria com a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).
Dos 24 estados contemplados pelo levantamento, 18 apresentaram crescimento nas vendas de bares e restaurantes em junho, na comparação anual. As maiores altas foram registradas em Roraima (14,5%), Santa Catarina (8,5%) e Rio Grande do Sul (5,6%), seguidos por Bahia e Espírito Santo (ambos com 4,6%), Tocantins (4,2%), Mato Grosso (3,2%), São Paulo (2,9%), Pernambuco (2,4%), Paraná (2,2%), Rio Grande do Norte (2,2%), Mato Grosso do Sul (2,1%), Pará (1,2%), Rio de Janeiro (1%), Minas Gerais (0,9%), Goiás (0,7%), Alagoas (0,4%) e Sergipe (0,2%). Por outro lado, seis estados registraram retração no período, sendo eles: Maranhão (5,1%), Paraíba (3,7%), Piauí (3,5%), Rondônia (3,4%), Ceará (1,0%) e Amazonas (0,3%).
“O segundo trimestre foi positivo para o setor, mas junho ficou abaixo da expectativa criada para um mês que reuniu a Semana dos Namorados e a Copa do Mundo. Os empresários se prepararam para um aumento no fluxo de clientes, mas o desempenho do mês mostra que parte desse potencial de consumo não se converteu em vendas. Um fator que pode ter influenciado esse resultado foi o aumento expressivo das apostas esportivas, que pode ter direcionado parte dos gastos dos brasileiros para as plataformas de apostas, reduzindo os recursos disponíveis para o consumo em bares e restaurantes”, afirma Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.
Segundo Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone, o resultado de junho reforça a resiliência do setor, mesmo diante de um ambiente econômico desafiador. “Apesar da retração na análise mensal, o avanço na comparação anual e o desempenho positivo do segundo trimestre mostram que bares e restaurantes seguem sustentados pela força do mercado de trabalho. A geração de renda e os baixos níveis de desemprego continuam apoiando o consumo das famílias e contribuindo para que o setor mantenha um desempenho superior ao observado há um ano”, afirma.
Para Freitas, a Copa do Mundo também exerceu influência sobre a atividade do setor em junho. “A realização dos jogos contribuiu para aumentar o fluxo de consumidores em bares e restaurantes, impulsionando as vendas nos estabelecimentos do país. Eventos desse porte costumam estimular o consumo fora do lar e ajudam a explicar parte do desempenho observado no mês, principalmente na resiliência em relação ao ano passado, mesmo em ambiente de forte restrição financeira”, completa.


