
Os três ex-policiais militares acusados pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos, foram condenados a 24 anos de prisão, em regime fechado, pelo Tribunal do Júri de São Gabriel. A sentença foi proferida já na madrugada deste sábado, após cinco dias de julgamento no Foro do município. Arleu Jacobsen, Cleber Lima e Raul Veras Pedroso foram condenados por homicídio qualificado por motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Além da pena de prisão, o Conselho de Sentença determinou a perda dos cargos públicos e o pagamento de indenização de R$ 100 mil à família de Gabriel. Os três, que estão presos desde 2022, não poderão recorrer em liberdade.
A sentença foi lida por volta da 1h15min pela juíza Liz Grachten, que presidiu o julgamento. Os jurados acolheram a tese apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), que sustentou que os policiais assumiram o risco de provocar a morte do jovem durante a abordagem.Ao longo dos cinco dias de julgamento, foram ouvidas 17 testemunhas, além dos interrogatórios dos três réus. Também foram realizadas duas inspeções judiciais no local dos fatos, uma durante o dia e outra à noite, para que os jurados pudessem visualizar o cenário onde ocorreram os acontecimentos.
Nos debates finais, os promotores Eugênio Paes de Amorim, Karine Camargo Teixeira e Maria Fernanda Rabelo Ramalho afirmaram que a morte foi resultado de uma “escalada de violência” praticada pelos policiais, citando inclusive a decisão da Corregedoria-Geral da Brigada Militar que determinou a exclusão dos réus da corporação.Já as defesas sustentaram que não havia provas suficientes para atribuir a autoria do homicídio aos acusados. Os advogados também negaram que Gabriel tenha sido agredido e afirmaram que o jovem foi deixado com vida após a abordagem policial.
Relembre o caso
Gabriel Marques Cavalheiro desapareceu na noite de 12 de agosto de 2022, após ser abordado por policiais militares durante o atendimento de uma ocorrência em São Gabriel. Segundo a denúncia do MPRS, o jovem foi agredido, colocado na viatura da Brigada Militar e posteriormente morto. O corpo foi localizado sete dias depois, em 19 de agosto, em um açude na localidade de Lava Pé.


