
O Banco Central divulga nesta terça-feira, 23, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que reduziu em 0,25 ponto percentual a Taxa Selic, de 14,50% para 14,25% ao ano pela terceira vez consecutiva, confirmando a expectativa do mercado anterior ao encontro. O BC brasileiro utiliza a Selic, os juros básicos da economia, como um instrumento para reduzir o ritmo da atividade econômica e, com isso, tentar controlar a inflação. Quando o juro sobe ou fica alto por muito tempo, o crédito encarece, ficando mais caro para quem compra no cartão, nas parcelas de produtos e no financiamento de imóveis, levando a uma perda de força no consumo. Quando há redução, a perspectiva é de estímulo para a economia e de um menor risco de descontrole nos preços.
Na reunião anterior, em abril, o comitê apontou como justificativa para um ritmo menor na queda dos juros as incertezas sobre os desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio e as expectativas para inflação em alta por período mais prolongado. De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom iniciou o corte dos juros em março, num cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de alimentos, dificulta a queda da taxa.
Segundo o comunicado pós reunião do comitê, o ambiente atual exige cautela das economias emergentes diante do aumento da volatilidade nos preços de ativos e commodities. Sobre a economia doméstica, o comitê afirmou que os indicadores mais recentes apontam para uma aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, “com setores mais cíclicos desempenhando novamente um papel significativo e o mercado de trabalho ainda mostrando sinais de resiliência.”
Nesse cenário, as expectativas gerais de inflação aceleraram, afastando-se ainda mais da meta e até ultrapassando o limite superior da faixa da meta. As projeções de inflação para 2026 e 2027, conforme a pesquisa Focus do mercado financeiro, estão em 5,30% e 4,10%, respectivamente. O ponto médio da meta de inflação de 12 meses estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com uma faixa de tolerância de 1,50 ponto percentual acima ou abaixo, variando de 1,50% a 4,50%.
(*) com Agência Brasil


