
Com o programa SUS Gaúcho, lançado em setembro do ano passado para destinar recursos extras para diversas áreas da saúde, a previsão do governo do Estado é de que, até julho deste ano, haja redução de 54,2% da fila de especialidades eletivas, com oferta de 57.889 atendimentos para diferentes especialidades. O programa foi lançado em setembro como uma expansão do financiamento da saúde pública no Estado, a partir da revisão metodológica do cálculo da aplicação mínima de 12% na Saúde. O balanço do programa foi apresentado nesta quinta-feira, em coletiva de imprensa no Palácio Piratini, com a presença do governador Eduardo Leite e da secretária estadual de Saúde, Lisiane Fagundes.
No ano passado, foram investidos R$ 273 milhões para os serviços implantados e, neste ano, serão aportados R$ 747,7 milhões – totalizando R$ 1,1 bilhão. De setembro a dezembro de 2025, houve uma redução de 62,4% das filas eletivas para as especialidades atendidas na época, de oftalmologia e ortopedia joelho. Somadas, as duas especialidades contavam com 154.704 pacientes à espera de consulta em abril daquele ano. Para oftalmologia, foram 92,8 mil consultas ofertadas em 3 meses. Já em ortopedia joelho, foram 15,1 mil consultas e 3,4 mil cirurgias.
Para 2026, estão presentes novas especialidades na estratégia de redução de filas, como ortopedia geral, urologia, litotripsia, dermatologia, otorrinolaringologia, cirurgia geral, urologia adulto e urologia vasectomia, com foco em critérios de maior fila. Ainda, está dentro do investimento os leitos para o tratamento da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), parte do programa Inverno Gaúcho; tratamento cirúrgico da escoliose e ambulatórios de especialidades para tratamento de obesidade e dor crônica, entre outros serviços. O financiamento será expandido ao longo dos próximos seis anos, sendo concluído no final do próximo mandato de governo e atingindo R$ 6,7 bilhões.
O governador salientou que a grande limitação para diminuir as filas em consultas com especialistas e atendimentos em cirurgias envolvia a existência de um subfinanciamento por parte do SUS. “Uma vez que a gente já tenha colocado em dia pagamentos ao prestador de serviço, aos municípios, aos fornecedores, entre eles medicamentos, abrimos uma política de investimentos nos hospitais e, junto aos municípios, na atenção primária em saúde, agora a gente consegue avançar em uma política de complementação de valores pagos pelo SUS, que são absolutamente insuficientes para cobrir os custos que os hospitais têm para atendimento de consultas especializadas e para cirurgias”, disse.
As especialidades escolhidas são elencadas conforme a maior fila de espera, destacou a secretária. “Desde 2019, a gente vem em um processo de organização da regionalização, junto com o apoio do Cosems de estruturar a regionalização, dizer onde o paciente deve ir de acordo com o agravo que ele tem e também o avanço que tivemos com a implantação dos sistemas de regulação que trata como oficiais, que é o Gerint (Gerenciamento de internações hospitalares) e o Gercon (Gerenciamento de consultas). Isso permite que o poder público enxergue a totalidade desses pacientes, porque os municípios passam a cadastrar os pacientes que precisam desses atendimentos e, de posse dessas informações com transparência para o poder público, conseguimos adotar medidas que são mais assertivas”.
Fonte: Correio do Povo