
A agenda econômica da semana será mais carregada no exterior do que no Brasil. Os principais destaques se concentram na Ásia e nos Estados Unidos, com dados de atividade da China, indicadores de inflação no Japão, ata do Federal Reserve, balanço da Nvidia e confiança do consumidor americano. No Brasil, a semana será mais esvaziada, mas ainda relevante para a leitura de atividade e expectativas, com a divulgação do IBC-Br de março e nova edição do Boletim Focus.
Por aqui, o principal dado da semana será o IBC-Br de março, previsto para esta segunda-feira, 18. A leitura tende a ser negativa: o volume de serviços recuou 1,2% em março ante fevereiro, bem acima da retração de 0,1% projetada pelo mercado. Como a projeção original para o IBC-Br já incorporava queda bem menor dos serviços, o resultado pode vir mais fraco do que o consenso.
A desaceleração, contudo, também pode ser lida como parte do mecanismo esperado da política monetária restritiva — ponto que conversa diretamente com a discussão em curso sobre o ciclo da Selic. É nessa chave que o Boletim Focus ganha peso adicional. A história das últimas semanas é a divergência entre o consenso e as casas individuais: a mediana do Focus manteve a Selic ao fim de 2026 em 13,00% pela terceira semana consecutiva, mas XP e Itaú já elevaram suas projeções — para 13,75% e 13,25%, respectivamente — citando o choque do petróleo e a piora das expectativas de inflação.
A pressão também aparece em outras pontas do relatório. O IPCA de 2026 acumula nove semanas seguidas de alta, em 4,91%, enquanto a Selic de 2027 passou de 11,00% para 11,25%. A leitura de segunda-feira mostrará se a recalibração das casas individuais começa a chegar à mediana, ajustando para cima a taxa terminal esperada para 2026.
“No campo político, o mercado seguirá atento ao ruído envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. O tema importa menos pelo episódio em si e mais pelo possível impacto sobre a reorganização da direita e sobre a leitura dos agentes para a eleição de 2026. Para os ativos brasileiros, a variável central segue sendo a implicação fiscal atribuída a cada cenário eleitoral”, diz diz Leandro Manzoni, analista de economia do Investing.com.
EUA
Nos Estados Unidos, a quarta-feira, 20, concentra dois dos principais eventos da semana: a ata da última reunião do Federal Reserve e o balanço da Nvidia. A ata será importante para detalhar uma das reuniões mais divididas do Fed em décadas. A decisão foi aprovada por 8 votos a 4, mas a dissidência não foi homogênea.
De um lado, três presidentes regionais — Beth Hammack, de Cleveland, Neel Kashkari, de Minneapolis, e Lorie Logan, de Dallas — defenderam a manutenção da taxa, mas discordaram da linguagem do comunicado. O grupo queria remover o viés de afrouxamento e adotar uma formulação mais simétrica, que deixasse aberta a possibilidade de alta ou corte como próximo movimento.
Do outro lado, o governador Stephen Miran votou por um corte de 25 pontos-base. O resultado foi um comunicado que preservou o viés de afrouxamento, mas expôs fissuras relevantes no consenso do FOMC. A transição de comando complica a leitura. Kevin Warsh, confirmado pelo Senado em 13 de maio por 54 votos a 45, é visto como mais inclinado a cortes e alinhado à preferência do governo Trump por uma política monetária menos restritiva.
“A primeira reunião sob comando de Warsh será em 16 e 17 de junho, com novas projeções econômicas. Por isso, a ata desta semana funciona como uma ponte entre o fim da gestão Powell e o início da condução de Warsh. Mais do que antecipar uma decisão específica, o documento deve indicar o tamanho do obstáculo político e técnico que o novo chair terá para construir consenso em torno de cortes, especialmente diante da resistência dos presidentes regionais mais preocupados com a inflação”, diz Leandro Manzoni, analista de economia do Investing.com.
Também na quarta-feira, 20, a Nvidia divulga seus resultados após o fechamento. O balanço será acompanhado como termômetro do ciclo de inteligência artificial, tanto pelos números do trimestre quanto pelo guidance. O mercado buscará sinais sobre demanda por chips, investimentos em data centers e evolução da infraestrutura ligada a modelos de linguagem, IA agêntica e aplicações físicas de inteligência artificial.
A leitura terá impacto sistêmico. O setor de IA foi um dos principais responsáveis por sustentar os índices americanos nas máximas, mesmo em meio à guerra no Oriente Médio. Por isso, qualquer sinal de desaceleração na demanda ou de mudança no ritmo de investimentos pode afetar não apenas a ação da Nvidia, mas a narrativa mais ampla de tecnologia em Wall Street.