
Um grande simulado de deslizamento de terra resgate e acolhimento de vítimas movimentou Bento Gonçalves, na Serra, nesta quarta-feira. A ação, coordenada pelo governo do Estado, que afirmou ser esta a maior operação simulada do gênero da história do Rio Grande do Sul, foi centralizada no bairro Zatt, considerado como um dos principais pontos de risco do município. Bento Gonçalves é, ainda de acordo com o governo, o quarto município gaúcho com maior risco geológico.
O exercício simulou uma ocorrência de grande porte, com oito mortos, cerca de dez feridos, 34 desaparecidos, 55 desabrigados e 14 desalojados, 144 pessoas diretamente afetadas em 36 edificações, além de 800 indiretamente atingidas. A ação envolveu mais de cem veículos, centenas de equipamentos, cães farejadores e 467 profissionais de órgãos de segurança, a exemplo do Corpo de Bombeiros Militar do RS (CBMRS), Brigada Militar, Polícia Civil, Defesa Civil Estadual e Municipal e Instituto-Geral de Perícias (IGP).
Também participaram agências humanitárias, equipes de resposta do município e governo federal, como o Exército, Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Corsan, RGE e Instituto Cultural Floresta. Durante o exercício, ao menos três alertas cell broadcast, de notificações e avisos sonoros que se sobrepõem a qualquer outro aplicativo que estiver em execução no telefone celular, foram enviados às 12h, 12h30min e 14h a todas as pessoas conectadas à rede móvel próxima.
Manequins nos papéis de pessoas reais foram resgatados de um soterramento na descida de um morro junto à rua João Domingos Poli, com o auxílio de helicópteros e viaturas e “encaminhados” a hospitais e abrigos montados na região. Moradores e serviços locais haviam sido previamente avisados da dinâmica, que transcorreu com sucesso, embora com algumas pequenas falhas operacionais identificadas, segundo o coordenador da Defesa Civil Estadual, coronel Luciano Chaves Boeira.
“Quando realizamos um exercício desta dimensão, é para avaliar a capacidade operacional de todos os atores, para identificar se tudo está conforme previsto nos planos oficiais, bem como testar nossa comunicação de risco. E posso antecipar que o resultado geral é muito positivo, assim como a resposta da comunidade”, disse ele em entrevista coletiva no final da tarde, salientando que novos simulados similares acontecerão nas regionais da Defesa Civil.
Às 15h, o governo do Estado chegou a enviar um primeiro boletim, também simulado, apontando inicialmente dez pessoas feridas e 35 desaparecidas, e informando que o governador Eduardo Leite havia determinado a mobilização do Gabinete Integrado de Gestão de Desastre, o que, de fato, ocorreu na Praça CEU, a cerca de 1,5 quilômetro do local da simulação, reunindo diversas autoridades. Cerca de 1h30min depois, o segundo e último boletim atualizou o número de vítimas. O presidente e o vice-presidente da Associação de Moradores do Bairro Zatt, respectivamente Valdir Lauriano dos Santos e Joacir Luis de Almeida, disseram que a região, habitada há cerca de 30 anos, tem mais de dois mil moradores, e que exercícios assim auxiliam no treinamento dos habitantes em geral.
“Isso é ótimo, até pra um vizinho ajudar outro vizinho na hora em que precisa, o pessoal sabe como fazer e como agir. O pessoal de fora vai conhecer o nosso bairro também”, disse Santos. De acordo com eles, o risco é maior porque há diversas áreas nesta região, que é repleta de morros e encostas, habitadas de maneira irregular.
Fonte: Felipe Faleiro / Correio do Povo