
Foto : Rodrigo Thiel / Especial / CP
Mais de 20 áudios feitos com inteligência artificial foram somados aos autos do desaparecimento de Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, e dos pais dela, Isail e Dalmira Aguiar, 69 e 70, respectivamente, vistos pela última vez entre os dias 24 e 25 de janeiro em Cachoeirinha, na Região Metropolitana.
Os trechos foram adicionados ao inquérito pelas 22h dessa quinta-feira, sendo gerados a partir da voz de Silvana e enviados aos idosos logo após o sumiço dela, supostamente por seu ex-marido, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, 39 anos. Ele é suspeito de matar os três, mas nega envolvimento no crime.
Ao todo, entre material autenticamente enviado por Silvana e conteúdo manipulado, o documento soma 37 áudios. Todo o conteúdo falso foi transmitido aos pais dela via ligações telefônicas.
No dia seguinte ao desaparecimento de Silvana, uma primeira leva de sonoras dizia que ela e uma amiga capotaram o carro na Serra gaúcha. Conforme a Polícia Civil, entretanto, tal acidente jamais ocorreu, sendo uma farsa do suspeito para justificar o sumiço da ex.
Preocupados com a filha, os idosos procuraram o ex-genro, desconfiados da hipótese de participação dele no ocorrido. Após o encontro com o PM, o casal teria recebido mais mensagens com a voz de Silvana, alegando que ela já estava em casa e que passava bem. Além disso, teoricamente, ainda chamava Isail para auxiliá-la com supostos problemas elétricos em seu imóvel, junto a Cristiano.
Isail e Cristiano aparecem em imagens de câmeras de segurança no entorno da residência de Silvana. Na gravação, os dois aparentam observar fios na parte externa do local. O idoso teria sido morto pouco depois.
Dalmira recebeu novos recados, avisando que o PM buscaria uma ferramenta na casa da ex-sogra, ao lado do mercado da família, no bairro Vila Anair. Ela acabou permitindo a entrada dele ali.
A Polícia Civil acredita que Silvana e Isail foram assassinados dentro da casa dela, com cerca de um dia de diferença, tendo Dalmira morrido após receber o PM. A suspeita é que eles tenham sido mortos por asfixia mecânica.
Cristiano Domingues foi indiciado por feminicídio, duplo homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, abandono de incapaz, falsidade ideológica, furto qualificado, fraude processual, falso testemunho e associação criminosa. O advogado Jeverson Barcellos, que representa o PM, informa que ele reafirma a própria inocência.
Para a 2ª DP de Cachoeirinha, Silvana e Isail teriam sido assassinados na casa dela, com Dalmira sendo morta após receber Cristiano. A suspeita é que as vítimas foram asfixiadas.