
A indústria eletroeletrônica do Rio Grande do Sul registrou melhora nos principais indicadores em fevereiro de 2026, após um início de ano marcado por desempenho mais fraco. Os dados fazem parte da Sondagem Conjuntural do Setor, realizada pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).
De acordo com o levantamento, 40% das empresas relataram crescimento nas vendas e encomendas em comparação com fevereiro de 2025, avanço em relação aos 33% registrados em janeiro. Na comparação com o mês imediatamente anterior, o movimento de recuperação é ainda mais evidente: os relatos de crescimento saltaram de 29% para 50%.
O ritmo de negócios também apresentou melhora, com redução das avaliações abaixo das expectativas (de 62% para 53%). A utilização da capacidade instalada subiu de 74% para 76%, indicando retomada gradual da atividade industrial no estado. Apesar do cenário mais favorável, o nível de emprego permaneceu estável, com 80% das empresas mantendo seus quadros de funcionários. No comércio exterior, houve aumento nas empresas que registraram crescimento das exportações (de 29% para 38%), mas também cresceu o número de relatos de queda, refletindo um ambiente ainda volátil.
Outro ponto de atenção está nos custos: 42% das empresas indicaram aumento nos preços de componentes e matérias-primas – mais que o dobro do observado em dezembro. Pressões adicionais com energia, água e impostos também cresceram, atingindo 45% das indústrias. Para 2026, o setor mantém expectativas positivas, embora com cautela. A sondagem aponta que 70% das empresas projetam crescimento nas vendas ao longo do ano. No entanto, fatores como inflação, juros elevados, incertezas fiscais e o cenário eleitoral brasileiro devem seguir impactando a confiança dos empresários.
No ambiente internacional, conflitos geopolíticos e possíveis mudanças na política tarifária dos Estados Unidos adicionam novos elementos de instabilidade ao setor. Mesmo diante desse contexto, os dados indicam que a indústria eletroeletrônica gaúcha inicia uma trajetória de recuperação, sustentada por melhora gradual na atividade, ainda que sob forte vigilância quanto aos riscos econômicos internos e externos.