
Com um formato que favoreceu interações entre os participantes, permitindo uma prévia do acirramento que vai marcar a corrida pelo governo do Estado, a Fecomércio realizou nesta quinta-feira um painel com a participação de cinco pré-candidatos ao posto. Durante uma hora e meia, Edegar Pretto (PT), Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB) expuseram suas posições e responderam a questionamentos formulados pela entidade.
Dividido em quatro partes, a primeira de apresentações e a última para considerações finais, o painel concentrou as perguntas nos dois blocos centrais. No segundo bloco, todos os pré-candidatos responderam aos mesmos dois questionamentos. Um deles, sobre se garantiam que, caso eleitos, não vão aumentar impostos ou a carga tributária. Todos os cinco se posicionaram contra a elevação de tributos.
A segunda pergunta foi sobre como pretendem melhorar os indicadores da Educação Básica no Estado. As respostas foram genéricas. Gabriel, que é vice-governador, elencou ações da atual administração. Pretto, presidente da Conab, falou sobre a compra de merendas de qualidade, infraestrutura adequada e valorização de professores. Zucco e o prefeito de Guaíba, Marcelo Maranata, acenaram com a interação com o setor empresarial. Juliana fez referência ao avô, Leonel Brizola, e defendeu as escolas de tempo integral.
O terceiro bloco foi o que abriu maiores possibilidades de duelos entre os pré-candidatos. Nele, por sorteio, um dos cinco respondeu a uma pergunta e outro teve direito a um comentário. Quem abriu o bloco foi Pretto, que respondeu sobre qual será sua política para o piso salarial estadual. Zucco foi sorteado para comentar. Depois, Gabriel respondeu sobre se considera o modelo de concessão das rodovias adequado para o Estado. O comentário coube a Pretto. Na sequência, Maranata foi sorteado para falar sobre qual sua participação, caso eleito, nas articulações de temas de interesse do RS em Brasília. O comentário ficou com Juliana. A quarta pergunta, para Juliana, foi sobre ações de uma eventual administração sua para enfrentar a informalidade. Maranata comentou. Fechando o bloco, foi sorteada para Zucco a pergunta sobre a atração de mais turistas ao Estado. O comentário ficou com Gabriel.
Apesar da natural troca de farpas que caracteriza este tipo de evento, para surpresa dos presentes, não foi a polarização entre defensores do presidente Lula e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro que chamou a atenção nas manifestações dos pré-candidatos no painel da Fecomércio. Nem a tensão entre Juliana e Pretto, que travam uma disputa ferrenha para se manterem na corrida. O que marcou o evento, do início ao fim, foram os enfrentamentos entre Gabriel e Zucco. Que, até bem pouco tempo, disputaram aliados importantes. E, agora, tentam conquistar a preferência do eleitorado de centro-direita.
O que eles disseram
Edegar Pretto (PT)
“Temos um histórico de valorização do salário mínimo. Mas quero garantir aos senhores que comigo vai ser no diálogo. Vou instalar uma câmara permanente para que empresários, trabalhadores e governo dialoguem sobre o piso regional. Um governante não pode atuar como inimigo de quem produz. Tem que ser parceiro.”
Gabriel Souza (MDB)
“Deputado Zucco, me perdoe se o senhor se sente incomodado toda a vez que eu lhe questiono. Vai se acostumando, vai ser assim até o final da eleição. Porque candidato a governador tem que estar preparado. E eu quero saber se o senhor está. É natural, democrático e extremamente respeitoso.”
Juliana Brizola (PDT)
“Para mim, governar não é ficar preocupado com ideologia. Não duvidem da minha capacidade de diálogo. Fui oposição ao primeiro governo de Eduardo Leite. E recebi o apoio dele para ser candidata a prefeita (em 2024). Temos divergências? Temos. Assim como aqui também temos. Por isto é que temos candidaturas distintas.”
Luciano Zucco (PL)
“Quero falar das concessões. Somos favoráveis. O problema é a transparência, o preço, o modal que não se entrega. Aqui é muito caro. Por incompetência. E vamos falar da tal da articulação política. Aprovamos a securitização na Câmara. E o que este governo estadual fez? Palore, palore, palore. Vai lá fazer fotinho no ano eleitoral.”
Marcelo Maranata (PSDB)
“Não parece que eu vivo no mesmo Estado que alguns dos meus oponentes. Se a cada ano, 50 mil gaúchos, o que é um Beira Rio lotado, uma Arena lotada, estão indo embora, e são jovens, talentos, que estão indo, eu acho que a gente não está fazendo o tema de casa. E não precisa inventar a roda. Temos que deixar este Estado atrativo.”
Fonte: Flávia Bemfica / Correio do Povo