
Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), elaborado em parceria com 19 entidades setoriais, identificou 42 novas barreiras ao comércio internacional em 2025, elevando para 107 o total de entraves mapeados em 36 mercados. O cenário destaca os desafios enfrentados pelos exportadores brasileiros em um contexto de maior tensão no comércio global e de adoção de medidas restritivas por outros países. Entre os 10 mercados com mais entraves estão o México e os Estados Unidos, que registraram 10 e 8 medidas, respectivamente – o dobro desde a última edição do estudo, divulgado em 2024.
A 4ª edição do Relatório de Barreiras Comerciais Identificadas pelo Setor Privado Brasileiro destaca o impacto das mudanças na política comercial dos Estados Unidos, com a adoção de tarifas multissetoriais que afetam diversos parceiros comerciais, inclusive o Brasil, e contribuem para um ambiente de maior incerteza no comércio internacional. As medidas ganham ainda mais relevância com o fato de que os EUA são o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira.
Diante desse cenário, a CNI atua, em conjunto com entidades setoriais, federações das indústrias e empresas, na identificação, qualificação e monitoramento de barreiras em terceiros mercados. Até o momento, mais de 160 casos já foram notificados ao governo brasileiro, com o objetivo de subsidiar ações de diálogo e negociação internacional. Na edição atual do levantamento, os 10 mercados que mais registram restrições são a União Europeia, o México, os Estados Unidos, a China, a Arábia Saudita, a Colômbia, o Japão, a Bolívia, a África do Sul e a Argentina.
A gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, ressalta que o comércio internacional é fundamental para ampliar a produtividade e fortalecer a competitividade da indústria brasileira, mas nos últimos anos o número e a complexidade das barreiras aumentaram, muitas vezes associadas a exigências técnicas, sanitárias e regulatórias que dificultam sua contestação e elevam custos para as empresas exportadoras.
“Em um cenário de maior incerteza no comércio internacional e de proliferação de restrições comerciais, acompanhar e dar visibilidade às barreiras enfrentadas pelas empresas brasileiras torna-se cada vez mais estratégico. O mapeamento desses entraves contribui para orientar a atuação do país e fortalecer o diálogo com parceiros comerciais, criando melhores condições para preservar e ampliar o acesso dos produtos brasileiros aos mercados internacionais”, afirma Constanza Negri.
ATUAÇÃO COORDENADA
O relatório demonstra que o monitoramento sistemático e a atuação coordenada entre o setor privado e o governo rendem resultados concretos. Em relação à edição anterior, houve progresso na mitigação e eliminação de três barreiras específicas: uma relacionada à certificação sanitária para couros, do Vietnã; outra sobre uma liminar da justiça mexicana que restringia a importação de carne suína; e a terceira relacionada à certificação mandatória de revestimentos cerâmicos na Argentina.