
A startup gaúcha Insect Protein – Produtos Sustentáveis, sediada no Feevale Techpark, em Campo Bom (RS), foi selecionada para expor no South Summit Brazil 2026, um dos maiores eventos de inovação e empreendedorismo da América Latina. A participação ocorre com apoio do Programa Centelha, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que levará 18 startups brasileiras apoiadas pelo Centelha 1 e Centelha 2 para apresentar suas soluções durante o evento.
A Insect Protein, contemplada no Programa Centelha 2, estará entre as startups que irão expor no dia 25 de março, representando o Rio Grande do Sul e o ecossistema de inovação do Vale dos Sinos. Também participará do evento a Nun Tecnologia Sustentável, igualmente instalada no Feevale Techpark, reforçando a presença da região em um dos principais palcos de inovação do país.
A ideia da Insect Protein começou a tomar forma em 2021, quando os empreendedores Adriana Bender e Mauro Ávila iniciaram pesquisas sobre o potencial da proteína de insetos como alternativa sustentável para nutrição animal e agricultura. Após meses de estudos e validação do modelo de negócio, a empresa foi formalmente constituída em 2022.
Para estruturar a base científica e tecnológica do projeto, os fundadores buscaram um especialista na área e convidaram o pesquisador Lucas de Marques Vilella, que passou a integrar a startup como CTO (Chief Technology Officer). Especialista em insetos comestíveis e biotecnologia aplicada, Lucas teve papel fundamental na consolidação técnica da solução e no desenvolvimento do projeto submetido ao Programa Centelha.
Embora o edital do Centelha 2 tenha sido lançado em 2021, os recursos de subvenção econômica foram liberados no final de 2022. Com o apoio do programa, a startup conseguiu estruturar sua operação e, em janeiro de 2023, instalar-se no Feevale Techpark, em Campo Bom. “O Centelha foi decisivo para transformar uma ideia em uma empresa estruturada. Esse apoio permitiu investir em pesquisa, processos produtivos e na construção da base tecnológica da Insect”, destaca a cofundadora Adriana Bender.
Em 2024, a empresa alcançou um marco importante: obteve registro junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para a criação e processamento do Tenebrio molitor, conhecido como tenébrio ou larva-da-farinha. Atualmente, a Insect Protein é a única empresa no Brasil com registro para criar e processar esse inseto, utilizado como fonte sustentável de proteína para nutrição animal.
TECNOLOGIA
A tecnologia desenvolvida pela startup transforma subprodutos agroindustriais, como o farelo de trigo, em ingredientes de alto valor nutricional, além de gerar o Insect Frass, fertilizante orgânico proveniente do cultivo dos insetos, contribuindo para soluções baseadas em economia circular e sustentabilidade na agricultura. O potencial de mercado para a proteína de insetos tem chamado atenção do setor. Segundo a empresa, apenas no último ano foram recebidas consultas comerciais que somariam cerca de 30 toneladas de proteína, volume ainda muito acima da capacidade atual de produção, que ocorre em escala piloto.
“O próximo passo é ampliar nossa capacidade produtiva. Estamos avaliando oportunidades para instalação de um pavilhão industrial entre 600 e 1.000 metros quadrados, que permita escalar a produção e atender a demanda do mercado”, explica Adriana.
A expectativa da empresa é que a participação no South Summit Brazil também ajude a acelerar essa fase de crescimento, aproximando a startup de investidores, parceiros estratégicos e possíveis estruturas industriais para viabilizar a expansão