
O setor global de data centers deve praticamente dobrar de tamanho até 2030, passando de 103 GW para 200 GW de capacidade instalada, impulsionado pelo avanço acelerado da inteligência artificial (IA). A projeção faz parte do Global Data Center Outlook 2026, estudo da JLL que estima um ciclo de investimentos de até US$ 3 trilhões nos próximos cinco anos. Dentro desse cenário, o Brasil tem potencial para atrair cerca de US$ 33 bilhões, sendo aproximadamente um terço destinado a investimentos imobiliários e o restante em equipamentos e infraestrutura tecnológica. As regiões Sudeste e Nordeste aparecem como as mais atrativas para novos projetos no país.
“A combinação entre demanda por IA, disponibilidade de energia renovável e infraestrutura instalada coloca o Brasil em uma posição relevante no mapa global de data centers”, afirma Bruno Porto, gerente de negócios imobiliários de Industrial, Logística e Data Center da JLL Brasil.
De acordo com o relatório, a IA deve representar 50% da capacidade global de data centers até 2030, ante cerca de 25% em 2025. A expectativa é que, a partir de 2027, as cargas de trabalho de inferência – isto é, de uso real da tecnologia – superem as de treinamento, exigindo infraestrutura mais eficiente e com maior densidade energética.
Globalmente, instalações voltadas à IA podem demandar até 10 vezes mais energia do que data centers tradicionais e alcançar prêmios de aluguel de até 60%.Os chips de IA devem aumentar sua participação na receita total do mercado de semicondutores de 20% para 50% até 2030, com o silício personalizado capturando cerca de 15% do mercado à medida que os hyperscalers desenvolvem seus próprios processadores.
ENERGIA LIMPA
O Brasil pode se beneficiar diretamente da expansão da IA por contar com uma matriz energética majoritariamente renovável. À medida que empresas buscam reduzir sua pegada de carbono e garantir fornecimento estável de energia, cresce a tendência de processamento local de aplicações de IA em regiões com oferta de energia limpa.
No cenário global, grandes operadores já utilizam fontes renováveis para compensar 100% do consumo de seus data centers, enquanto soluções como sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) e sistemas solares com armazenamento ganham espaço como alternativas para garantir resiliência energética e custos de energia competitivos
Na Europa, Oriente Médio e África (EMEA), projetos que combinam renováveis e transmissão por rede privada podem reduzir o custo de energia para os inquilinos em até 40% em comparação com a rede pública.
De olho nesse mercado, o Brasil deve ficar atento aos desafios para maximizar a atração de investimentos. “A implementação efetiva do ReData – Medida Provisória que promete se consolidar como um marco para a modernização da infraestrutura digital brasileira – dará maior segurança e transparência ao ambiente empresarial, atraindo investidores”, avalia Porto.
Em paralelo, a infraestrutura regional é outro ponto de atenção. Algumas localidades ainda carecem de investimentos adicionais em infraestrutura básica, o que impacta no custo e no tempo total de desenvolvimento dos empreendimentos.
Em paralelo, o país se destaca positivamente no prazo para obtenção de energia, que varia entre 1,5 e 2 anos, um ciclo mais curto do que em muitos mercados globais, nos quais conexões podem levar mais de quatro anos. “Esse prazo competitivo é um diferencial importante, mas os investidores consideram todos os fatores — regulatórios, de infraestrutura e de custo — ao avaliar o retorno e o cronograma dos projetos”, explica o especialista.