
Uma bateria de dados relevantes para a política monetária do Copom está programada para divulgação nesta semana na economia brasileiro e mundial. Os dois indicadores mais importantes serão apresentados na sexta-feira , 27: a prévia da inflação ao consumidor (IPCA-15) de fevereiro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e a criação de vagas formais de emprego (Caged).
Os dois dados acabam alimentando o “calcanhar de Aquiles” do Copom, que elevou a taxa Selic a 15% ao ano: uma inflação de serviços persistentemente alta, decorrente de um hiato do produto positivo, ou seja, de uma economia operando acima de sua capacidade.
A taxa de desemprego na mínima histórica, o maior contingente de trabalhadores com carteira assinada na série histórica e a massa salarial em nível recorde contribuem para a elevação dos preços de serviços intensivos em trabalho, mantendo a inflação e as expectativas distantes do centro da meta de 3% ao ano.
“Janeiro costuma registrar recuperação das vagas formais de emprego após o tombo recorrente de dezembro. Além disso, os dados do Caged dos últimos meses mostraram desaceleração em relação ao mesmo período do ano anterior, e os economistas vão observar se a tendência de arrefecimento da geração de vagas se manteve no primeiro mês deste ano. Já o IPCA-15 é o dado mais decisivo”, diz Leandro Manzoni, analista de economia da plataforma Investing.com.
O Copom sinalizou, em sua última reunião de política monetária, que iniciará o ciclo de queda da taxa Selic no próximo encontro, em março. A dúvida é se o corte será de 0,25 ou de 0,50 ponto percentual. Hoje, as apostas majoritárias do mercado apontam para um recuo da taxa básica de juros de 15% para 14,5% ao ano.
O cenário em que a flexibilização monetária se inicia com uma queda de 50 pontos-base ganhará força se a inflação de serviços e seus núcleos mantiverem a trajetória de desinflação no acumulado em 12 meses, especialmente se o dado do índice cheio vier abaixo do esperado. Caso contrário, o mercado tende a dividir igualitariamente as apostas nos dois tamanhos de corte.
Há outros dados relevantes para a economia brasileira ao longo da semana. Na segunda-feira,, 23, o tradicional Boletim Focus pode trazer novas reduções para as estimativas do IPCA de 2026, enquanto as projeções para 2027 e 2028 permanecem estáveis há semanas. Na terça-feira, 24, será a vez de o Banco Central divulgar os dados do setor externo brasileiro (transações correntes e investimento direto no país) de janeiro.
No dia seguinte, 25, quarta-feira, os dados do setor bancário do primeiro mês de 2026 entram no radar. O IGP-M de fevereiro será conhecido na quinta-feira, 26, no mesmo dia em que o Tesouro Nacional divulgará o resultado do Governo Central de janeiro. Na sexta-feira, o Banco Central apresenta os dados do setor público consolidado referentes a janeiro (que incluem União, estados, municípios e estatais).
EUA
Nos EUA, o destaque é a intensa agenda de discursos de membros do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) ao longo da semana, em um momento em que boa parte do colegiado está mais focada no mandato de inflação, especialmente após o índice PCE e seu núcleo apontarem variações anuais de, respectivamente, 2,9% e 3%, ainda acima do centro da meta de 2% ao ano.
“Essa preocupação levou alguns membros do Fed a cogitar, segundo a ata da última reunião, a possibilidade de sinalizar alta da taxa de juros caso a inflação não retome a trajetória de desinflação. Com a reversão parcial das tarifas impostas por Donald Trump pela Suprema Corte, esse diagnóstico tende a ser revisitado, uma vez que havia a expectativa de repasse adicional aos preços, embora o pico de transmissão já tenha ocorrido”, comenta Manzoni.
Além disso, o mercado de trabalho se estabilizou e apresentou melhora no início de 2026, reduzindo a preocupação dessa ala majoritária do Fed em relação ao mandato do emprego. A desaceleração do crescimento econômico no quarto trimestre de 2025, conforme a primeira leitura do PIB, permanece no radar, mas, com a taxa de desemprego em 4,3% em janeiro, esse fator não deve, por ora, assumir protagonismo nas decisões de política monetária.