
O prefeito Sebastião Melo realizou na sexta-feira uma vistoria técnica em obras de proteção contra cheias em quatro pontos de Porto Alegre, acompanhado do secretário da Reconstrução, Maneco Hassen, do deputado federal Paulo Pimenta, do diretor-presidente do Dmae, Vicente Perrone, além de representantes de diversas secretarias municipais e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
O roteiro incluiu o Arroio Areia, Vila Tio Zeca Areia (alças da nova Ponte do Guaíba), Vila Dique e o Dique do Sarandi. Um dos destaques foi o reservatório de detenção R15, no Passo d’Areia, que está com 95% das obras concluídas e terá capacidade para armazenar até 37,5 milhões de litros de água da chuva, beneficiando cerca de 180 mil pessoas.
No Sarandi e na Vila Dique, as autoridades discutiram uma nova solução tecnológica para os pôlderes 7 e 8, área que envolve os bairros Anchieta e Sarandi e o Aeroporto Salgado Filho. A proposta, elaborada pela empresa Rhama Analysis, sob coordenação do professor Carlos Eduardo Tucci, prevê soluções alternativas para a proteção do terminal aéreo, minimizando a necessidade de remoções. Com isso, a execução seria mais rápida e teria custos menores. O projeto está em discussão na Secretaria da Reconstrução Gaúcha.
Segundo Melo, a decisão precisa ser construída de forma conjunta entre os três entes. “O público tem que sobrepor o privado. A proteção contra cheias é um bem maior. As famílias precisam ser acolhidas, mas a obra tem que sair. Porto Alegre e o Rio Grande do Sul não podem viver outra tragédia. Obras de proteção de cheia não saem do papel rápido. Se se não tiver acordos, aí é que não sai mesmo”, afirmou.
O deputado Pimenta destacou que a proposta apresentada pela prefeitura tende a ser mais ágil e viável. “Nos próximos dias ocorrerá uma reunião técnica envolvendo o governo do Estado, o governo federal e prefeitura. Havendo a decisão de que o projeto que será encaminhado é esse que a prefeitura está sugerindo, temos condições de licitar ainda esse ano”.
Já Perrone explicou que o Dmae trabalha na elaboração do anteprojeto da nova solução para os pôlderes 7 e 8, etapa necessária para uma contratação integrada de projeto executivo e obra. “A ideia é antecipar muito a proteção da região. Se tudo correr bem, essa pode ser a primeira obra do Firece (Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos) licitada no início do segundo semestre. É uma intervenção grande, mas mais simples de executar, por ocorrer em área desabitada”, explicou. Segundo ele, após licenças e ordem de início, o prazo estimado de obra varia entre três e cinco anos.
Na Vila Tio Zeca Areia, junto à nova Ponte do Guaíba, autoridades conversaram com moradores desapropriados para a conclusão das alças de acesso. No local, Pimenta destacou que o objetivo do governo federal é dar andamento na retomada das obras. “Em março vamos abrir o edital para contratar a empresa da nova Ponte do Guaíba e, em abril, anunciar oficialmente”, disse o deputado, acrescentando que o novo projeto também deve incluir alternativas de acesso às ilhas.
A vistoria terminou no Dique do Sarandi, onde foi concluído em janeiro um trecho de 300 metros da estrutura rompida em 2024, elevando para mais de 1,4 quilômetro o segmento já reforçado. Outras intervenções seguem previstas ao longo dos 3,5 quilômetros do dique, que protege a Zona Norte da Capital.
Fonte: Guilherme Sperafico / Correio do Povo