Todas as vacinas oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são testadas, aprovadas e seguras; e notícias falsas devem ser desmentidas para que não levem ainda mais pessoas à morte. Tendo por base esses princípios, a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS), em parceria com conselhos de saúde de âmbito nacional, estadual e municipal, lançou nesta quarta-feira, em Brasília, a campanha de incentivo à imunização “Vacina Mais”.
Segundo o presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Fernando Pigatto, o Brasil é um dos “poucos países que oferecem um extenso rol de vacinas gratuitas à população”, com um Programa Nacional de Imunizações (PNI) que disponibiliza anualmente cerca de 300 milhões de vacinas contra mais de 30 doenças em aproximadamente 38 mil salas de vacinação espalhadas pelo território nacional.
O CNS reafirmou que a vacinação “é uma das intervenções de saúde pública mais eficazes”. A iniciativa conta, ainda, com o apoio do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems)
Direito e responsabilidade
Segundo a representante da Opas no Brasil, Socorro Gross, a campanha chama atenção para a necessidade de que as pessoas se vacinem mais do que o fazem hoje. E lembrou que o SUS oferece as doses, gratuitamente, para que as pessoas “façam uso desse direito, o que envolve também responsabilidades”.
Queda de cobertura
O CNS lembra que, graças às vacinas, o mundo erradicou a varíola, em 1980. Já a região das Américas se tornou a primeira a eliminar doenças como poliomielite (em 1994), rubéola e síndrome da rubéola congênita (em 2015) e tétano neonatal (em 2017). No entanto, segundo Fernando Pigatto, a alta taxa de cobertura vacinal vem caindo nos últimos anos, deixando milhões de pessoas em risco.
De acordo com o Ministério da Saúde, entre 2015 e 2021 o número de crianças vacinadas com a primeira dose contra a poliomielite caiu de 3.121.912 para 2.089.643. Já para a terceira dose, no mesmo período, os números reduziram de 2.845.609 para 1.929.056. Com isso, a cobertura vacinal contra a doença recuou, no período, de 98% para 67%.
Para o CNS, a imunização insuficiente resultou também no retorno do sarampo ao Brasil. “O país havia ficado livre da transmissão autóctone [que ocorre dentro do território nacional] do vírus causador dessa doença em 2016. Porém, a combinação de casos importados de sarampo e a baixa cobertura vacinal levaram o Brasil a ter um surto, que, desde 2018, tirou a vida de 40 pessoas, principalmente crianças”, frisou o CNS.