A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, em elevar a taxa de juros brasileira de 12,5% para 13,25% veio dentro do esperado. Em tempos de política fiscal frouxa, a política monetária muito apertada tenta fazer seu papel de segurar a inflação. A avaliação é do presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn para quem já passou da hora do governo endereçar as medidas fiscais corretas para a ancoragem das expectativas e fazer valer o enorme diferencial de juros que temos no câmbio.
“Em 2025, vamos experimentar uma taxa de juros real sufocante da atividade econômica e assusta pensar que isso pode não ser suficiente para vencer a inflação. É perigoso deixar a popularidade do governo ser o principal guia da política econômica, com foco estritamente no curto prazo. Política fiscal e monetária passam a intensificar a guerra de forças. E, com isso, todos perdemos”, diz o dirigente.
Para a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), a continuidade do desequilíbrio fiscal é a origem para a nova alta da taxa básica. O crescimento acelerado da relação da dívida com o Produto Interno Bruto (PIB), as incertezas sobre a sustentabilidade das contas públicas e a falta de medidas eficazes para reestabelecer as expectativas ampliaram as pressões inflacionárias, impactando a taxa de câmbio e gerando reflexos na política monetária, analisa a Unidade de Estudos Econômicos (UEE) da entidade.
Apesar das variáveis técnicas que direcionaram a decisão do Copom, o presidente da FIERGS, Claudio Bier, alerta para os impactos negativos que as elevações no juro têm produzido no ambiente econômico. “A escalada da Selic tem sido muito prejudicial ao setor industrial e à economia como um todo”, afirma Bier, alinhado com a visão crítica que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) tem manifestado sobre o tema. O presidente aponta também a necessidade de maior esforço e disciplina na gestão dos gastos públicos, o que geraria um ambiente de maior confiança, “favorecendo o crescimento econômico e a competitividade do setor produtivo”.