Sedimentos das enchentes e bancos de terra dificultam a navegação no Guaíba

Situação é acompanhada pela Portos RS, que monitora diariamente a navegabilidade, prejudicada por conta dos acúmulos nos canais

Situação atrapalha a navegação nos canais da Capital e Região Metropolitana | Foto: Fabiano do Amaral/CP

As chuvas intensas que atingiram o Rio Grande do Sul desde o final do mês de abril, além de todos os transtornos e da crise causada pelos alagamentos, também geraram problemas em relação ao acúmulo de sedimentos no Guaíba. A situação preocupa, pois a formação de bancos de terra está dificultando a navegação e pode trazer consequências econômicas para o porto de Porto Alegre.

Diante do problema, a Portos RS – estatal que atua como a autoridade portuária responsável pela gestão dos portos públicos do Estado – está realizando ações emergenciais para lidar com o assoreamento, especialmente fora da área dos molhes.

Segundo o presidente da Portos RS, Cristiano Klinger, a dragagem pontual está em andamento para remover os acumulados. “Nós estamos falando de uma grande obra em função de ser muito grande o volume de sedimentos das enchentes, que escoaram tanto para a hidrovia quanto para o nosso canal,” explica.

Além dessas ações emergenciais, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) está conduzindo um processo para realizar uma batimetria completa, que avaliará a profundidade e o volume de sedimentos no Guaíba. O estudo é considerado crucial para planejar a dragagem necessária, que vai restaurar as condições ideais de navegação.

Klinger ressalta, ainda, que há recursos disponíveis pelo governo federal para a execução desses trabalhos. “A dragagem total será para recuperar as condições do projeto do nosso calado como já homologado e com isso fazer a retirada da restrição,” destacou.

Granpal contratará empresa para fazer a batimetria
Por conta do problema enfrentado em decorrência do assoreamento, a Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal) definiu, em assembleia geral, a contratação de uma empresa para realizar a batimetria na região da Capital. O objetivo é identificar os prejuízos provocados no calado destas regiões com o acúmulo dos detritos das cheias no Estado.

De acordo com o presidente da Granpal e também prefeito de Guaíba, Marcelo Maranata, há um considerável acúmulo de minerais, areia e resíduos em rios da região. “Foi solicitado à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM) que realizasse a mineração no rio Guaíba em um prazo mais rápido, no entanto, a fundação precisa avançar em questionamentos judiciais para autorizar a mineração e isso só será possível no final deste ano”, explica.

Em 2022 o governo do Estado havia liberado R$ 60 milhões para a dragagem do calado do Porto da Capital, para retirar o material que se depositou ao longo de muitos anos e permitir a passagem de embarcações. Conforme a Granpal, a promessa era realizar o trabalho ainda em 2023, mas se decidiu ampliá-lo, o que elevou o custo para R$ 180 milhões. O novo prazo era 2024, mas a chuvarada trouxe um novo cenário, aumentando em 150% o valor, para R$ 450 milhões o custo da dragagem.