Confiança do Consumidor e Empresarial em rotas distintas, diz FGV

Entre os empresários, aumento do otimismo na Indústria e no Comércio impulsionam avanço

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A confiança do consumidor inicia 2024 em queda, dando continuidade à tendência iniciada em setembro do ano passado. Os juros e o endividamento elevados continuam a exercer pressão sobre a situação financeira das famílias, a despeito do início do movimento de queda dos juros internos. Já entre os empresários, o aumento do otimismo na Indústria e no Comércio impulsionam o avanço do Índice de Confiança Empresarial (ICE), do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre).

 

O patamar inferior a 100 pontos sinaliza um ritmo morno de atividade econômica no início do ano. Depois de 15 meses, o Índice de Expectativas Empresarial (IE-E) voltou a superar o Índice da Situação Atual Empresarial (ISA-E), retomando à tendência observada nos anos anteriores entre as duas séries. A melhora das expectativas foi motivada principalmente pelo otimismo dos empresários em relação à demanda prevista para os próximos 3 meses. Quanto ao volume de demanda atual, porém, a percepção piorou.

A alta de janeiro da confiança da Indústria reflete a percepção de melhora do ambiente de negócios, resultado de avaliações mais favoráveis sobre o nível de demanda e a normalização dos estoques. Serviços e Comércio também iniciam o ano com melhora na confiança, em ambos os casos impelida pelo aumento do otimismo em relação aos próximos meses. Apesar disso, a confiança do Comércio segue em nível abaixo das demais. A confiança do setor da Construção ficou relativamente estável, em patamar próximo ao da Indústria e dos Serviços.

SITUAÇÃO ATUAL

Em janeiro, o Índice da Situação Atual (ISA) caiu pelo segundo mês consecutivo, agora em 2,7 pontos, para 77,6 pontos, nível baixo em termos históricos. O Índice de Expectativas (IE) recuou 2,3 pontos. Apesar da queda, o índice supera os 100 pontos pelo nono mês consecutivo (à exceção de novembro passado, quando fechou em 99,8 pontos).

Somente a faixa dos consumidores de maior poder aquisitivo (com renda acima de R$9.600.1) observou avanço em sua confiança em janeiro, o que contribuiu para manter média das duas faixas mais altas apresentadas no gráfico ao lado estáveis. Já na média das duas faixas de renda mais baixas, a confiança retornou à casa dos 80 pontos, puxada pela queda de 7,5 pontos na faixa de renda de menor poder aquisitivo (com renda até R$ 2.100,00).

A alta do indicador de incerteza em janeiro foi determinada pelo componente de Mídia, já que o componente de Expectativas recuou no mês, atingindo o menor nível desde 2017. A análise de texto das notícias consideradas como indicativas de incerteza econômica sugere certa tranquilidade no front macroeconômico interno (juros, inflação e câmbio), exceto no que diz respeito ao cumprimento ao longo do ano das metas estabelecidas no arcabouço fiscal. As maiores fontes de pressão para a alta do IIE -Br no mês vieram de fatores como o aumento do pessimismo com a economia global, previsões menos favoráveis para o crescimento chinês e riscos geopolíticos diversos.