Incêndio em mina de carvão no Cazaquistão deixa ao menos 32 mortos; 14 seguem desaparecidos

Tragédia representa o pior acidente de mineração no país desde 2006, quando 41 mineiros morreram

Reprodução redes sociais

Pelo menos 32 pessoas morreram e 14 continuam desaparecidas neste sábado (28) após um incêndio atingir uma mina de carvão no Cazaquistão, propriedade do gigante da siderurgia ArcelorMittal.

“Às 16h [10h, no horário de Brasília], os corpos de 32 pessoas foram encontrados na mina Kostenko; a busca por 14 mineiros continua”, anunciou o Ministério de Emergências em comunicado.

Anteriormente, a empresa disse que mais de 200 trabalhadores foram resgatados do incêndio na mina Kostenko, no norte da cidade de Karaganda. As operações de resgate continuam em andamento.
Após o drama, o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, ordenou “o fim da cooperação de investimentos com a ArcelorMittal” e denunciou a “natureza sistêmica dos acidentes” na empresa.
Ele também chamou a ArcelorMittal de “a pior empresa da história do Cazaquistão em termos de cooperação com o governo”. O presidente cazaque chegou mais tarde ao local do acidente, cujas causas não foram imediatamente esclarecidas.

O governo disse que trabalharia na nacionalização da subsidiária local da empresa. “O governo chegou a um acordo preliminar com os acionistas da ArcelorMittal e está prestes a finalizar a transação para transferir a propriedade da empresa a favor da República do Cazaquistão”, anunciou o primeiro-ministro num comunicado.
“Neste momento, estão sendo feitos trabalhos para devolver a empresa à República do Cazaquistão”, disse ele no Telegram, especificando que não considera entregar a empresa a “outros investidores estrangeiros”.

A ArcelorMittal, com sede em Luxemburgo, tem um histórico de catástrofes mortais no Cazaquistão e é regularmente acusada de não respeitar as normas ambientais e de segurança. A empresa anunciou que pararia “todas as minas durante as próximas 24 horas” para realizar trabalhos de verificação.

Antes desta nova tragédia, 12 funcionários da ArcelorMittal no Cazaquistão morreram em acidentes em menos de um ano, e, em 2023, as autoridades registaram quase 1.000 violações das normas de segurança industrial nas minas da empresa.

O incêndio é o pior acidente de mineração no Cazaquistão desde 2006, quando 41 mineiros morreram em outra instalação da ArcelorMittal, e ocorreu dois meses depois da morte de cinco trabalhadores em uma explosão no verão passado.

Investigação
A ArcelorMittal prometeu compensação e disse que cooperaria com as autoridades: “Nossos esforços são direcionados para isso [compensação] e para uma estreita cooperação com as autoridades estaduais”. Tokayev anunciou um dia de luto nacional e garantiu que seria criada uma comissão de investigação para determinar a causa do acidente.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, apresentou neste sábado suas condolências ao seu homólogo cazaque, aliado de Moscou. A ArcelorMittal opera cerca de uma dúzia de minas na região industrial altamente poluída deste vasto país rico em recursos, anteriormente parte da União Soviética.

A extração de ferro e carvão, bem como de petróleo, gás e urânio, tornou a sua economia a maior da Ásia Central, mas os acidentes são comuns devido ao envelhecimento da infraestrutura e dos equipamentos e por causa dos padrões de segurança frouxos.

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