Ponte de Pedra sofre com degradação e sem previsão de documento que deve apontar correções

Segundo arquiteto, impermeabilização incorreta pode estar causando trincas e infiltrações

Ponte de Pedra, construída no século XIX, é considerada um dos cartões-postais de Porto Alegre | Foto: Guilherme Almeida / CP

A Ponte de Pedra, no Largo dos Açorianos, em Porto Alegre, é um dos pontos turísticos mais tradicionais da cidade. Estrutura construída em 1848, ela sofre, atualmente, com a degradação, causada por infiltrações, umidade, trincas enormes e falta de reboco, que comprometem sua beleza. Abaixo dela, o espelho d’água oferece também um local único de contemplação. Em 2019, a reformada foi concluída pela Prefeitura, em um projeto inicialmente orçado em R$ 4,6 milhões, mas que terminou custando R$ 5,4 milhões aos cofres públicos.

Após o Correio do Povo publicar reportagem no final de julho mostrando a situação da estrutura, ideias para uma nova revitalização começaram a aparecer. O arquiteto João Antônio Krahe disse que poderia haver falhas de impermeabilização da ponte, cujas fundações absorvem água, já que as mesmas foram construídas em uma área úmida. “Uma vez que esta umidade entra nas paredes de tijolo ou pedra, ela não consegue sair por evaporação, já que a ponte pode estar revestida por um cimento forte. Assim, ela permanece ali e deteriora a estrutura”, sugere.

A solução, conforme supõe o arquiteto, a partir das informações disponíveis, seria a colocação de uma argamassa à base de cal no reboco para permitir a evaporação, o que poderia atenuar os problemas. “No momento em que a ponte deixou de ser de madeira e a fizeram de pedra ou alvenaria, ela foi feita para durar muito tempo. Desconheço se, na época de sua construção, havia alguma previsão de durar 100, 150 anos, porém imagino que sim, se ela for bem mantida”, afirma Krahe.

A Prefeitura teve apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS), cuja sede é vizinha ao largo, na revitalização da praça. A entidade, por sua vez, afirma que não é responsável por “falhas estruturais e danos decorrentes de força maior”. Já a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) disse que realizou vistoria recente com a Secretaria Municipal de Cultura (SMC), em razão de a ponte ser tombada.

Um documento conjunto apontando possíveis intervenções necessárias, assim como um cronograma para as mesmas onde houver necessidade está sendo elaborado por ambas as pastas, e ainda não há data para sua publicação. Questionada se a comunidade poderia, de alguma forma, contribuir com sugestões, a Smamus disse que “é preciso uma análise cautelosa de métodos e técnicas de execução pela equipe da SMC”. A Administração também disse, em 2016, quando as obras iniciaram, foram restaurados os revestimentos externos e internos da ponte, feita base com impermeabilização, pintura com tinta à base de cal na cor branca de toda a área revestida, entre outras melhorias.