Dinheiro esquecido procura 28 milhões de CPFs e CNPJs a partir desta segunda

Dinheiro. Foto: Marcello Casal / Agência Brasil

A partir desta segunda-feira (14), 28 milhões de CPFs e CNPJs de empresas brasileiras poderão começar a receber de volta R$ 8 bilhões em dinheiro “esquecido” em instituições financeiras. É que depois de 20 dias suspensa, a ferramenta do Banco Central que mostra a origem do dinheiro volta a funcionar exclusivamente em um site específico: valoresareceber.bcb.gov.br.

Os valores, que representam uma média de R$ 333 a receber — o que corresponde a mais de um quarto do salário mínimo atual (R$ 1.212) e quase uma parcela do piso do Auxílio Brasil (R$ 400), podem ser de recursos remanescentes de contas que foram fechadas ou restituição de cobranças indevidas, por exemplo, e o consumidor pode também solicitar o pagamento dos recursos.

Para acessar, o consumidor precisa ter login nível prata ou ouro no portal do governo Gov.br. As classificações são feitas de acordo com o nível de verificação e confiabilidade dos dados informados pelo cidadão, como validação facial via aplicativo, com base na CNH ou checagem de dados via internet banking de banco credenciado.

O Sistema Valores a Receber (SVR) foi suspenso em 25 de janeiro, um dia depois do lançamento. O excesso de demanda derrubou o site do BC, que ficou mais de 24 horas fora do ar. Para resolver o problema, a autoridade monetária criou um site específico no domínio Gov.br.

O BC estima que na primeira fase do serviço estão disponíveis cerca de R$ 3,9 bilhões para devolução. Enquanto esteve no ar no dia de seu lançamento, 79 mil pessoas conseguiram realizar consulta na ferramenta e foram feitas 8,5 mil solicitações de resgate de recursos esquecidos, o equivalente a R$ 900 mil. As solicitações de pagamento só poderão ser feitas a partir de 7 de março, mediante agendamento.

RECOMENDAÇÕES

Conforme o Banco Central, todo o relacionamento do cidadão com o SVR se dará nesse novo site (valoresareceber.bcb.gov.br). Não será possível consultar ou solicitar valores SVR no site principal do BC. Após o agendamento, a autoridade monetária recomenda que o cidadão volte ao site na data informada para pedir a devolução do dinheiro. Caso não retorne no dia marcado, ele terá que fazer uma nova consulta para receber uma nova data para pedir o resgate.

O Banco Central alerta que o cidadão nunca perde o direito sobre os valores em seu nome. As instituições financeiras guardarão esses recursos pelo tempo que for necessário, esperando até que o cidadão solicite a devolução”, ressaltou o BC.

No site haverá um passo-a-passo para o resgate dos valores do SVR. No momento da consulta, quem tiver dinheiro a ser devolvido será informado sobre a data em que poderá pedir a transferência para sua conta. O BC alerta sobre criminosos que utilizam o sistema para aplicar golpes. A autoridade monetária não envia links ou entra em contato com o cidadão para tratar sobre valores a receber, nem para confirmar dados pessoais. A empresa de cibersegurança Kaspersky identificou pelo menos 25 sites que usam o sistema como isca para golpes financeiros.

Além disso, ninguém está autorizado a entrar em contato em nome do BC ou do SRV. O cidadão não deve fazer qualquer tipo de pagamento para ter acesso aos valores. Quem pedir o resgate sem indicar uma chave Pix pode ser contatado por sua instituição financeira para que seja feita a transferência. Mesmo nesse caso, o banco não pode pedir dados pessoais ou senha.