RS vai enviar ofício ao Ministério da Saúde para que custeio de leitos clínicos e de UTI Covid seja mantido

Reunião entre representantes do governo estadual e comitês regionais de enfrentamento da pandemia discutiu ações na tarde desta quinta-feira

Covid-19 | Foto: Ricardo Giusti/CP

O governo do Rio Grande do Sul vai elaborar um ofício ao Ministério da Saúde solicitando a manutenção do custeio de leitos clínicos e de unidade de terapia intensiva (UTI) destinados ao tratamento de pacientes com coronavírus. O órgão federal anunciou, em dezembro, que vai deixar de custear os leitos Covid a partir de 1º de fevereiro.

Esse é um dos encaminhamentos indicados durante uma reunião entre membros dos grupos de trabalho Protocolos e Saúde, da Secretaria Estadual da Saúde (SES), com comitês regionais de enfrentamento à Covid-19, na tarde desta quinta-feira.

O encontro, conforme a SES, buscou debater estratégias para conter um novo avanço da doença em cidades gaúchas. Segundo o órgão, nos últimos sete dias, a média semanal de casos confirmados no Rio Grande do Sul a cada 100 mil habitantes cresceu mais de cinco vezes, passando de 81,9 para 411,5.

No período, também cresceu o número de internados em leitos clínicos, ainda que em menor proporção do que o crescimento de casos confirmados da doença. Até o fim da tarde desta quinta, havia 603 leitos clínicos ocupados por pacientes com quadro confirmado ou suspeito de Covid-19; em 2 de janeiro, eram 297.

“Ainda estamos em tempo de pensarmos em alternativas para evitarmos que esse crescimento de casos se reflita em necessidade de leitos. Precisamos definir, em conjunto, estratégias para se fazer cumprir os protocolos obrigatórios e recomendados pelo Sistema 3As de Monitoramento”, destacou a secretaria estadual da Saúde, Arita Bergmann.

De acordo com a SES, a partir do encontro de hoje também ficou acordado que os comitês regionais devem se reunir separadamente para discutir medidas que possam ser adotadas em cada uma das regiões, conforme a autonomia dos municípios estabelecida em decreto.

Famurs

Mais cedo, em entrevista ao Esfera Pública, da Rádio Guaíba, o presidente da Federação das Associações dos Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Eduardo Bonotto, destacou que a aposta das gestões municipais para contornar novo avanço da Covid-19 está na conscientização das pessoas e na manutenção do protocolo sanitário.

Bonotto afirmou, ainda, que uma das ações pode ser o adiamento do Carnaval. “Não se descarta, no futuro, realizar fora de época (dando o exemplo de Porto Alegre) como já ocorreu em outras oportunidades. O município daí se organizada com condições mais apropriadas, então essa avaliação do prefeito (Sebastião Melo) é muito apropriada. Acho que ele conseguiu tomar uma decisão correta, tendo possibilidade de avaliar e realizar o evento no futuro. E, lá no futuro, se as condições não forem propícias, com certeza não vai ocorrer. O que a gente observa é que o bom senso está prevalecendo”, pontua o presidente e prefeito de São Borja.

Além das medidas de controle, o presidente da Famurs também reiterou que campanhas de incentivo à vacinação devem prosseguir a fim de evitar que as redes de saúde enfrentem um novo colapso.