“Estou morrendo afogado e ele aparece”, diz Guedes sobre Bolsonaro

Ministro da Economia agradece confiança do presidente no trabalho à frente da pasta

Ministro segue no cargo apesar de saída de membros da equipe | Foto: Wilson Dias / Agência Brasil / Divulgação / CP

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse, nesta segunda-feira, que o presidente Jair Bolsonaro nunca perdeu a confiança nele e que sempre o salva quando está “morrendo afogado”. “Eu queria agradecer pela confiança do presidente. É sempre assim, eu estou morrendo afogado, ele aparece, renova a confiança e nós continuamos nessa aliança de liberais e conservadores por um futuro melhor do nosso país”, afirmou Guedes nesta tarde, em uma cerimônia no Palácio do Planalto.

Na última semana, o ministro passou por um momento conturbado à frente da Economia, com a saída de quatro secretários. A debandada aconteceu após divergências entre as alas política e econômica do governo federal sobre qual seria a melhor forma de financiar o Auxílio Brasil, programa de transferência de renda que substituirá o Bolsa Família.

Bolsonaro anunciou que nenhum beneficiário do novo programa receberá menos de R$ 400 no ano que vem. Para isso, o governo admitiu que poderia flexibilizar o teto de gastos, regra que limita o aumento dos gastos federais ao orçamento do ano anterior corrigido pela inflação acumulada em 12 meses, entre julho do ano anterior e junho do ano em exercício.

Guedes se colocou contra a ideia, o que fez crescer os rumores de que ele deixaria o governo federal. Contudo, o ministro acabou cedendo, e passou a defender o valor do Auxílio Brasil mesmo que, para garantir isso, o Executivo extrapole o teto de gastos. De acordo com o ministro, o objetivo é conseguir “uma licença para gastar um pouco mais”.

Nesta segunda, Guedes também falou sobre o programa social e admitiu que o governo precisa de mais espaço no orçamento federal para pagar R$ 400 a todos os beneficiários. “Seja por meio de um pedido de extra-teto seja por uma revisão no teto de gastos, não podemos disfarçar a verdade. A verdade é que teremos um gasto um pouco maior. Estamos falando de R$ 30 bilhões”, destacou.