Rosa Weber suspende MP que altera Marco Civil da Internet

Decisão, que atende pedido da OAB e de partidos políticos, ocorre no mesmo dia em que o presidente do Senado devolveu o texto ao governo

aplicativos de mensagem, internet, plataformas digitais, aplicativos, e-mail, redes sociais. Foto: Marcello Casal - Agência Brasil

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu hoje a eficácia da medida provisória (MP) que altera o Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014) e as regras de moderação de conteúdo e de perfis em redes sociais, publicada pelo governo federal em 6 de setembro.

Na decisão, a ministra atendeu ao pedido de liminar feito por partidos políticos e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Segundo a ministra, a medida não cumpre os requisitos legais de urgência. Também na noite desta terça, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM) decidiu devolver o texto, que com isso deixa de tramitar.

“A exposição de motivos da MP 1.068/2021 não se desincumbiu do ônus de demonstrar de forma fundamentada e suficiente a presença do requisito da urgência, notadamente em matéria de tamanha complexidade e vicissitudes, a evidenciar a ausência de tal requisito constitucional, do que resulta aparente inconstitucionalidade formal”, argumentou Rosa Weber.

No voto, a ministra também demonstrou preocupação com as consequências da medida. “Pontuo, por fim, a complexidade e a peculiaridade das diversas questões envolvidas na MP 1.068/2021. A propagação de fake news [notícias falsas], de discursos de ódio, de ataques às instituições e à própria democracia, bem como a regulamentação da retirada de conteúdos de redes sociais consubstanciam um dos maiores desafios contemporâneos à conformação dos direitos fundamentais.”, completou.

Entre as regras, a MP estabelece que não haja exclusão, suspensão ou bloqueio da divulgação de conteúdos gerados pelos usuários, nem de serviços e funcionalidades dos perfis nas redes sociais, exceto nas hipóteses de “justa causa”. Essas hipóteses também terão de ser motivadas, ou seja, devem ser previamente justificadas pelos denunciantes.

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