Pesquisa revela que 3/4 das empresas de vestuário não farão investimentos em produção no RS

Mais de metade também não vai investir em matérias-primas; há sobra de material e variação de custo 90% acima da inflação

Foto: Guilherme Almeida/CP

Um estudo realizado pelo Sindicato das Indústrias de Vestuário do Estado do Rio Grande do Sul (Sivergs) apontou que 74,4% das empresas não farão investimentos em equipamentos utilizados na produção para a nova coleção outono/inverno 2021.

De acordo com o Sivergs, os empreendedores reportaram estar buscando apenas a sobrevivência dos negócios, em função da pandemia. Na prática, a falta de investimentos em equipamentos vai fazer com que o Estado fique dois anos estagnado, no que se refere à de modernização, em um setor com 87% de micro e pequenas empresas, conforme o sindicato.

Além disso, 53,8% dos entrevistados declararam que também não farão investimentos na compra de matérias-primas. Para o Sivergs há duas as explicações para que isso ocorra. A primeira deve-se ao alto valor cobrado, que segundo os empreendedores fica 90% acima da inflação. Já o segundo motivo está relacionado às sobras consideráveis de matérias primas do ano passado, que não foram utilizadas devido ao fechamento generalizado da indústria e cancelamento dos pedidos vigentes.

As matérias primas e os insumos também foram mencionados pelos empresários em relação ao tempo de entrega por parte dos fornecedores. Na comparação com o início do ano houve melhora, mas 48,7% das empresas ainda dizem registrar atrasos superiores a 30 dias, o que causa reflexos na cadeia produtiva com dificuldade de atender varejistas dentro do prazo previsto.

O levantamento ouviu, entre os dias 5 e 20 de abril, representantes do setor em 20 municípios gaúchos, localizados nas regiões Metropolitana, Vale do Sinos, Vales, Vale do Paranhana, Litoral Norte e Sul.