Falta de matéria-prima para CoronaVac preocupa Butantan

Instituto aguarda liberação do governo chinês para carregamento ser enviado a SP. Atraso pode mudar cronograma da vacinação

Foto: Fernando Bizerra Jr/EFE/Divulgação

A falta de matéria-prima para a produção de CoronaVac preocupa o Instituto Butantan, que produz as doses no Brasil, afirmou o diretor-presidente do instituto, Dimas Covas, em entrevista coletiva nesta segunda-feira. Há um carregamento pronto para ser despachado, aguardando a autorização do governo chinês para exportação.

“Preocupa, sim, a chegada da matéria-prima. Essa matéria-prima precisa chegar pra não parar o processo de produção”, afirma Covas. “Esperamos que isso aconteça muito rapidamente, porque se chegar antes do fim deste mês, nós manteremos o cronograma de entrega de vacinas.”

O instituto já disponibilizou ao Ministério da Saúde 5.994.576 doses da CoronaVac que, segundo Covas, reservou 50% das doses para a segunda aplicação, a ser dada em 28 dias. A chegada da matéria-prima, segundo Covas, abriria a possibilidade de usar todas as doses do primeiro lote para aplicação primeira dose da vacina e contar com o novo lote para a segunda etapa de imunização.

“Nós temos um intervalo de quase um mês para iniciar a segunda dose. Já temos 4 milhões de doses prontas. Dependemos ainda da chegada de matéria-prima para totalizar essas 6 milhões”, disse o diretor. “Nós estamos fazendo esse cálculo para inclusive oferecer como sugestão ao governo que não precisa reservar 50%, em vista do que já existe. Obviamente que isso precisa de autorização emergencial da Anvisa. Mas isso pode ocorrer brevemente e pode-se definir o cenário de utilização dessa parcela inicial de 6 milhões.”

Além das 4 milhões de doses que já estão prontas, há outras 800 mil doses em produção, que ficam prontas na próxima quarta-feira. Um novo pedido de uso emergencial feito à Anvisa refere-se a esse lote de 4,8 milhões e às demais que serão produzidas a partir da chegada da matéria-prima.

A capacidade de produção do Butantan é de um milhão de doses por dia. Na primeira etapa de produção, a capacidade foi atingida. “Mas nós dependemos ainda, agora, da matéria-prima para poder continuar esse processo e fazer essas doses o mais rapidamente possível”, disse Covas, em entrevista coletiva nesta segunda-feira.

Anvisa

O Butantan enviou à Anvisa nesta segunda-feira um pedido de aprovação do uso emergencial de mais 4,8 milhões de doses da Coronavac envasadas no Brasil. O novo pedido ocorreu porque a modalidade de autorização de uso emergencial determina que o produtor faça pedidos específicos para um quantitativo de doses.

Enquanto não houver o registro definitivo da CoronaVac, cada lote adicional que for distribuído no país precisará de uma nova autorização. A segunda solicitação já tinha sido alinhada com a Anvisa, com intuito de aguardar a definição do pedido de uso emergencial, aprovado no domingo (17), para o uso do primeiro lote de cerca de 6 milhões de doses.

O contrato com a Sinovac é de 46 milhões de doses, incluindo as cerca de 6 milhões já entregues. Covas acredita que a nova aprovação da Anvisa vai facilitar a aprovação do governo chinês.