“Como homem e como Presidente, sou daltônico: todos têm a mesma cor”, diz Bolsonaro

Presidente diz que há grupos interessados em dividir a população para que seja mais fácil controlar a sociedade atendendo interesses políticos

Bolsonaro fez uma publicação nessa sexta sobre o povo miscigenado | Foto: Isac Nóbrega / PR / CP

O presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais nessa sexta-feira para exaltar o “povo miscigenado” brasileiro. Na publicação, ele fala que é essa “essência” que “conquistou a simpatia do mundo” e afirma que há grupos interessados dividir a população para manipulá-la. “Como homem e como Presidente, sou daltônico: todos têm a mesma cor”, escreveu o político.

“Somos um povo miscigenado. Brancos, negros, pardos e índios compõem o corpo e o espírito de um povo rico e maravilhoso”, escreveu o presidente. “Contudo, há quem queira destruí-la, e colocar em seu lugar o conflito, o ressentimento, o ódio e a divisão entre classes, sempre mascarados de “luta por igualdade” ou “justiça social”, tudo em busca de poder”, completou.

Bolsonaro criticou aqueles que dividem a sociedade “em grupos” e afirmou que o país tem problemas “complexos” e “que vão além de questões raciais”.

“Não adianta dividir o sofrimento do povo brasileiro em grupos. Problemas como o da violência são vivenciados por todos, de todas as formas, seja um pai ou uma mãe que perde o filho, seja um caso de violência doméstica, seja um morador de uma área dominada pelo crime organizado.”

O presidente conclui a publicação afirmando que a população dividida e vulnerável é mais “fácil de ser controlado”. “Não existe uma cor de pele melhor do que as outras. Existem homens bons e homens maus. São nossas escolhas e valores que fazem a diferença”.

A publicação foi feita no mesmo dia em que o país repercutiu o assassinato de João Alberto Freitas, um homem negro, no estacionamento do hipermercado Carrefour, em Porto Alegre. O crime, que aconteceu na véspera do dia da consciência negra, motivou protestos em vários locais do país. Nessa sexta-feira, o vice-presidente Hamilton Mourão lamentou a morte de João Alberto, mas disse que o ocorrido não pode ser classificado como um episódio de racismo. “Digo com toda a tranquilidade para você: não existe racismo no Brasil”, afirmou Mourão.

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